• Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

    Mateus 5:44,45

  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível

    .

    Mateus 17:20

  • Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

    Lucas 15:4

  • Então ele te dará chuva para a tua semente, com que semeares a terra, e trigo como produto da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia o teu gado pastará em largos pastos.

    Isaías 30:23

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Verso do dia

Maria, "cheia de graça"?

Escrito por  Gustavo

A anunciaçãoHá algum tempo, quando participava de uma lista de discussões, um participante católico me confrontou com uma suposta alteração feita por protestantes no versículo de Lucas 1:28, onde o anjo chama Maria de "agraciada", ao invés de "cheia de graça", como está nas Bíblias católicas. Esta foi a primeira vez que me deparei com esta acusação por parte dos católicos.

Desde então, vejo o argumento sendo defendido por vários católicos. Vejo muitos sites protestantes também lidando com este argumento, o que mostra que a acusação tem ganhado cada dia mais força em meios católicos. Em seu favor, os católicos listam o próprio Jerônimo, tradutor da Vulgata latina, como base para a tradução "cheia de graça".

Tal é o caso do apologista católico Paulo Leitão, que em seu programa "Em defesa da fé", discutindo sobre as "adulterações protestantes", cita a mesma passagem como uma "adulteração clássica":


Uma das mais clássicas adulterações da Bíblias protestantes é em Lucas 1:28, onde o anjo diz "Ave Maria, cheia, de graça. Vamos ver as adulterações desta passagem... A mais convencional, que está na Bíblia NIV, a Nova Versão Internacional, né, a adulteração mais clássica, que também está em uma das Bíblias Almeida, é o termo "agraciada". Em vez de "cheia de graça", colocou "agraciada". Vamos lá, ó: "O anjo aproximando-se dela, disse: alegra-se, agraciada", né? A palavra "agraciada" não remete de forma nenhuma à plenitude da graça, que o anjo saudou Maria, né? Que está na saudação do anjo, né? O termo κεχαριτωμενη, que é um termo particípio passivo perfeito, que mostra que ela foi santa e será durante todo o sempre, toda pura, toda imaculada. Então, uma das táticas foi tirar esta revelação, né? E o maior expert em idiomas bíblicos, que foi são Jerônimo, quando escreveu, compilou a Vulgata em latim, ele traduziu perfeitamente para "gratia plena": cheia de graça1.

Vemos que o argumento envolve tanto a correta tradução do termo grego κεχαριτωμενη, como também a própria tradução de Jerônimo para o latim. Afinal de contas, qual é a correta tradução para este termo?

A tradução correta do versículo

A primeira dúvida que temos é sobre a tradução correta do termo grego κεχαριτωμενη. Qual é a melhor tradução? Seria “agraciada” ou “cheia de graça”?

Como corretamente observou o católico Paulo Leitão, o termo está no particípio passivo perfeito. O verbo em questão é χαριτόω, que segundo a BDAG2 (dicionário padrão do grego koiné), significa causar ser recipiente de um benefício, favorecer, favorecer imensamente, abençoar. O termo está relacionado com χάρις, comumente traduzida para graça, e por isto uma outra tradução possível para χαριτόω seria agraciar. E como temos um particípio passivo (como Paulo Leitão mesmo nos informa), o termo agraciada é uma tradução perfeitamente possível.

A questão, no entanto, não é tão simples, pois o original traz este mesmo particípio no perfeito. E é provavelmente a adequada tradução deste tempo grego que está por trás da disputa neste versículo.

Quando fui confrontado a primeira vez com esta acusação de adulteração protestante, o católico havia dito que é o κε de κεχαριτωμενη que deveria ser traduzido pelo “cheia” que encontramos no texto católico.

A verdade é que este κε é apenas o prefixo do perfeito. Imagine a conjugação de verbos no próprio português: como é que alguém sabe qual é o tempo de um verbo? Em português normalmente se verifica o sufixo do verbo. É por isto que sabemos que escrevo está no presente e escreverei está no futuro. No caso do grego, temos indicações do tempo tanto no sufixo quanto no prefixo. O sinal do perfeito é a chamada reduplicação: a primeira consoante é repetida no começo e ligada à raiz do verbo através do ε. Nos verbos que se iniciam com χ, a consoante é trocada por κ, e daí temos o κε, de κεχαριτωμενη.

O perfeito é um tipo de tempo passado. Mas é bom entender que um verbo, dependendo do contexto e de seu emprego, pode assumir nuances que nem sempre são expressas pela forma temporal do verbo (chamada de aspecto). Por exemplo, quando digo “Eu vou estudar grego”, o verbo aqui é empregado no presente, embora a frase esteja falando de um evento futuro. O emprego de costumar em “costumo ler livros”, por outro lado, indica que a ação da frase é uma ação repetitiva. O nome dado a esta combinação de aspecto verbal, contexto e palavras com determinados significados (aspecto lexical) é chamado tecnicamente de Aktionsart. Por isto mencionei há pouco que o perfeito geralmente tem seu foco no resultado. Isto vai depender muito de como ele é empregado. A boa notícia é que os tempos verbais possuem uma gama limitada e conhecida de Aktionsart.

Mas por que mencionar toda esta história de Aktionsart e aspecto aqui? É por que a questão da correta tradução do termo κεχαριτωμενη envolve a correta identificação do Aktionsart deste particípio. Paulo Leitão, por exemplo, mencionou que o termo indica que Maria "foi santa e será durante todo o sempre, toda pura, toda imaculada". O pressuposto dele, portanto, é que este perfeito estaria sendo usado como uma ação atemporal.

Ações atemporais são chamadas tecnicamente de gnômicas, e o perfeito pode ser empregado como perfeito gnômico, como nos informa Daniel B. Wallace em sua gramática:

Com força gnômica, o tempo perfeito fala de uma ocorrência genérica ou proverbial. A força do aspecto do perfeito fica normalmente intacta, mas agora com valor distributivo, ou seja, algo é pressentido em muitas ocasiões ou por muitos indivíduos. Exemplos desta categoria são raros3.

Os exemplos desta categoria nos mostram como entender o perfeito gnômico:

(Rm 7:2) Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido.

Paulo não queria dizer com isto que a mulher casada esteve, está e estará ligada ao marido por todo o sempre. Ele está dando um exemplo genérico: é algo que sempre acontece, não uma verdade universal, como "Deus ama". Provavelmente se Lucas tivesse usado o presente gnômico, teríamos o sentido que os católicos desejam, já que o presente gnômico é contínuo, enquanto que o perfeito gnômico é distributivo.

O perfeito pode indicar, no entanto, outro sentido:

O perfeito pode ser usado para enfatizar os resultados ou o estado presente produzidos por uma ação passada. O presente no português é, muitas vezes, a melhor tradução para tal perfeito. Esse é um uso comum do perfeito4.

Temos ainda:

O perfeito é aqui usado para enfatizar a ação completa de uma ação passada ou o processo a partir do qual um estado presente emerge. Em português, normalmente, traduz-se pelo pretérito perfeito composto. Esse uso é comum5.

Assim, ou o anjo estaria enfatizando o estado atual de Maria (de ser agraciada), ou estaria enfatizando o fim de uma ação (de receber graça). Pelo contexto, é mais natural concluir que o anjo estava falando do estado atual de Maria.

O texto, portanto, não poderia nos dizer que Maria "foi santa e será durante todo o sempre, toda pura, toda imaculada". Mesmo por que o anjo não a chama de "cheia de santidade". Mas se é assim, por que Jerônimo traduz este termo por "gratia plena"?

A tradução latina de Lucas 1:28

Na Vulgata, o texto em questão nos diz:

(Lc 1:28) et ingressus angelus ad eam dixit have gratia plena Dominus tecum benedicta tu in mulieribus

O debate promovido por esta tradução é que a palavra “plena” não existe no original grego, tendo apenas o termo κεχαριτωμενη que analisamos acima. Neste caso, por que Jerônimo introduziu este termo?

Não é a primeira vez que Jerônimo é questionado sobre suas traduções. Sua controvérsia com Rufino se deu exatamente pela questão de como uma tradução deve ser feita. Em uma carta a Pammachius, escrita em 395, ele lida com a acusação de distorcer uma carta de Epifânio a João de Jerusalém em uma tradução para o latim. É nesta carta que podemos aprender mais sobre o método de tradução empregado por Jerônimo:

Horácio também, um escritor acurado e erudito, em sua Arte da Poesia, dá a mesma orientação ao tradutor habilidoso:

E não te preocupes com pensamentos, demasiadamente ansiosos, de traduzir palavra por palavra.

Terêncio traduziu Menandro, Plauto e Cecílio os antigos poetas cômicos. Eles se prenderam a palavras? Não pensaram primeiro, em suas versões, em preservar a beleza e o charme de seus originais? O que homens como vocês chamam fidelidade na transcrição, os letrados chamam de pequena pestilência6.

Em suas traduções, geralmente Jerônimo traduzia priorizando o sentido do texto original, não a relação palavra-palavra. Ele enumera apenas uma exceção a isto:

Pois eu mesmo não só admito mas livremente proclamo que ao traduzir do grego (exceto no caso das Sagradas Escrituras onde até mesmo a ordem das palavras é um mistério) eu traduzo sentido por sentido, não palavra por palavra7.

A metodologia de tradução de Jerônimo, portanto, é o de traduzir sentido por sentido. A tradução das Escrituras ele menciona como exceção a esta regra, por causa “da ordem das palavras ser um mistério”. Quais seriam as implicações práticas disto? Significa que Jerônimo, ao traduzir as Escrituras, faz palavra por palavra, enquanto que no resto de suas traduções ele faz sentido por sentido?

Diante de sua tradução de Lucas 1:28, é provável que haja uma mistura dos dois: Jerônimo traduziria as Escrituras o máximo possível priorizando a ordem e as palavras, mas quando vê que isto é insuficiente para transmitir o sentido original, ele procede com a tradução do sentido. Mas por que Jerônimo sentiu a necessidade de adicionar “plena” em sua tradução? É aqui que voltamos novamente à discussão do tempo perfeito em grego e de seu Aktionsart.

Provavelmente Jerônimo entendeu que o tempo perfeito no grego, naquele versículo, estaria enfatizando o fim de uma ação (e não o estado atual de Maria, como observamos acima), que é a de receber graça. E assim, para indicar em sua tradução que a graça teria sido concedida por completo para Maria, ele adicionou a palavra “plena” em sua tradução, traduzindo o sentido da fala do anjo, ao invés de se ater à tradução palavra por palavra.

O católico poderia agora argumentar: “Mas isto é apenas uma suposição, não há nada que demonstre que Jerônimo tinha esta intenção ao traduzir o versículo”. Devemos agradecer a outro doutor da Igreja Católica, Tomás de Aquino, por nos dar uma pequena ajuda neste caso. Ao fazer sua compilação de comentários patrísticos aos Evangelhos, a Catena Aurea, ele nos deixou registrado a interpretação do versículo pelo próprio Jerônimo:

E é bem dito, Cheia de graça, pois para outros, a graça vem em parte; para Maria de uma vez só a plenitude da graça completamente se infundiu. Ela é verdadeiramente cheia de graça através de quem a abundante chuva do Espírito Santo foi aspergida sobre toda criatura. Mas Aquele que enviou o anjo à Virgem já estava com a Virgem. O Senhor precedeu Seu mensageiro, pois Aquele que habita em todos os lugares não podia ser confinado por um lugar. Daí segue-se, o Senhor está contigo8.

O texto latino diz:

Hieronymus. Et bene gratia plena: quia ceteris per partes praestatur; mariae vero simul se totam infudit gratiae plenitudo. Vere gratia plena, per quam largo spiritus sancti imbre superfusa est omnis creatura. Iam autem erat cum virgine qui ad virginem mittebat Angelum, et praecessit nuntium suum dominus, nec teneri potuit locis qui omnibus habetur in locis: unde sequitur dominus tecum9.

Infelizmente Tomás de Aquino não nos deixou uma referência de qual obra de Jerônimo ele retirou estas palavras. Assim não podemos investigar o contexto de suas declarações10. Mas se estas são realmente palavras de Jerônimo, temos aqui uma prova de que ele via o perfeito como uma ênfase na conclusão da ação verbal. E para deixar isto claro em sua tradução, ele adicionou a palavra plena.

Antes de concluirmos esta parte, precisamos mencionar aqui a curiosa declaração de Jerônimo que através de Maria “a abundante chuva do Espírito Santo foi aspergida sobre toda criatura”. Certamente o católico identificará aqui um pouco de sua Mariologia e acredito que não há disputa sobre o fato de Jerônimo expor opiniões sobre Maria muito próximas do que é ensinado hoje no Catolicismo Romano. Ele mesmo escreveu um tratado para defender a virgindade perpétua. No entanto, é sempre bom ter cautela a respeito de textos sem seu devido contexto. Afinal de contas, o que Jerônimo estaria dizendo ali? Que através de Maria a graça divina é distribuída a toda criatura (de forma mais direta), ou que o fato dela aceitar sua missão, de carregar Cristo em seu ventre e criá-lo é que possibilitou a distribuição desta graça?

Conclusão

Vimos aqui que “agraciada” não apenas é uma tradução válida, mas é a melhor tradução. Quando o católico cita Jerônimo em sua defesa, ele desconhece que Jerônimo não fazia traduções literais, completando suas traduções com as palavras necessárias para dar o sentido do texto original. Portanto, “cheia” é uma palavra que não consta no original e foi adicionada por Jerônimo.

No mesmo vídeo que Paulo Leitão fala deste texto, ele acusa Lutero de adicionar a palavra allein em Romanos 3:28. Ora, Lutero fez isto pelos mesmos motivos que Jerônimo adicionou plena em Lucas 1:28. Não deveria Paulo Leitão acusar Jerônimo de adulterador da mesma forma, ao invés de tratá-lo como o “maior expert em idiomas bíblicos”?

Esperamos ter esclarecido este tema, tentando simplificar ao máximo todos os conceitos e termos técnicos utilizados para um entendimento correto do texto.

Notas

1. O vídeo pode ser visto aqui:

2. BDAG, pág. 1081.

3. WALLACE, Daniel B., Gramática Grega, uma sintaxe exegética do Novo Testamento, pág. 580, editora EBR.

4. WALLACE, Daniel B., Gramática Grega, uma sintaxe exegética do Novo Testamento, pág. 574, editora EBR.

5. WALLACE, Daniel B., Gramática Grega, uma sintaxe exegética do Novo Testamento, pág. 577, editora EBR.

6. Carta 57 de Jerônimo, para Pammachius sobre a melhor forma de tradução, disponível online em http://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf206.v.LVII.html.

7. Ibid.

8. A Catena Aurea pode ser lida online. O trecho em questão está disponível em http://www.catecheticsonline.com/CatenaAurea-Luke1.php.

9. Tomás de Aquino, Catena Aurea, Caput 1, lectio 9. O texto pode ser obtido no site Documenta Catholica Omnia, em http://www.documentacatholicaomnia.eu/20_50_1225-1274-_Thomas_Aquinas,_Sanctus.html

10. Não fui capaz de localizar esta citação nos escritos de Jerônimo da Patrologia Latina.

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Comentários   

+7 #6 Luiz 17-07-2016 20:27
Olá Gustavo

Boa tarde

Peço desculpas pois no meu comentário do dia 28/05/2016 antes do comentário eu realmente esqueci de colocar a saudação de sempre que é: Olá Gustavo e Bom dia, boa tarde ou boa noite ou seja eu fui direto escrevendo o comentário.

Um grande abraço e felicidades

Luiz
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+8 #5 Luiz 28-05-2016 21:59
Entendendo que a melhor tradução para a palavra kecharitomene é agraciada devemos ter em mente se a melhor tradução aponta para a melhor compreensão. E é claro que o esforço para se demonstrar a melhor tradução é correto e louvável pois a melhor tradução, no meu entender tem por objetivo levar o leitor ou leitora a captar o que realmente a mensagem quer passar. Bem, considerando que Maria foi chamada de agraciada por ter sido escolhida para ser a mãe de Jesus e isso sem dúvida por si só é algo magnífico então podemos perguntar se Maria foi agraciada pelo fato de ser a mãe de Jesus ou foi a mãe de Jesus por que era agraciada? Na verdade não são dois raciocínios excludentes mas sim complementares. Considerando que Maria foi chamada de agraciada pelo fato de ser a mãe de Jesus então ela só teve a Graça a partir do exato momento que Jesus estava no ventre dela então antes ela não tinha Graça nenhuma? Ou tinha uma Graça que prescisou ser substituída por uma Graça de digamos assim de maior intensidade?
É correto sim entender que a Graça foi concedida por Deus e que Maria serviu de instrumento para o nascimento de Jesus e que isso sem dúvida a torna agraciada porém para ela ser considerada agraciada obviamente ela tem que ter Graça nela pois ficaria sem sentido ela ser chamada de agraciada sem ter efetivamente a Graça então em algum momento ela recebeu a Graça de Deus ou seja o anjo expressou um fato que era real na vida de Maria ou seja que ela era agraciada.
Em Lucas 1:46-55 Maria faz um oração e assim como o anjo proferiu as palavras Maria também proferiu palavras num ato que mostra a alegria e fala do Poder de Deus uma manifestação add Graça nela.
Será que existe alguma dúvida que Maria era Cheia de Graça mesmo a palavra significando agraciada? Não só Maria mas todos os crentes no Senhor o que acontece é como a Graça agiu nela. O argumento em relação as gerações lembrarem de Maria como serva e ter sido a mãe de Jesus é correto e é importante também lembrar como Deus agiu nela i.e. como a Graça de Deus agiu para que ela fosse a mãe de Jesus, o que sustenta a lembrança será o que Deus realizou por meio de Maria que significa Jesus ter vindo ao mundo.
A palavra kecahritomene entrou exatamente na pessoa de Maria diferente de Estevão que foi uma referência a ele conforme Atos 6:8 onde primeiro aparece o nome de Estevão e depois a expressão fazendo referência a ele ou seja um nome próprio ( Estevão ) e a expressão “cheio de graça e poder,” estão separadas e isso indica como a Graça atuou em cada um deles. Lembrando que tanto Maria quanto Estevão assim também como Paulo e outros cristãos cristãs estavam cheios de graça.
Em Atos 6:5 está escrito que Estevão é cheio do Espírito Santo e em Atos 6:8 que Estevão fazia “fazia prodígios e grandes sinais” assim como Paulo e Barnabé em Atos 15:12 e em Atos 11:22-24 fala que Barnabé era Cheio do Espirito Santo e em Atos 13:9 fala que Paulo era Cheio do Espirito Santo então em relação aos três santos no Senhor a Bíblia relata que eles faziam “ sinais e prodígios” e eram Cheios do Espírito Santo e no caso de Maria apesar do nome dela ser citada no versículo 27 pois foi para identifica-la pois foi a primeira citação do nome dela e a partir daí começa o relato e na sequência no versículo 28 a mensagem é diretamente direcionada à Maria ou seja a palavra entrou exatamente na pessoa dela só ele é chamada de agraciada.

Um grande abraço

Luiz
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-1 #4 Evaldo 16-10-2015 23:00
Veja uma resposta de nossos irmãos.

http://blogfirmefundamento.blogspot.com/2015/10/a-irregularidade-do-catolicismo-romano.html
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+13 #3 Gustavo 14-10-2015 01:07
Olá, Evaldo.

É um texto bem extenso, e que tenta dar uma solução para a tradução, que não segue nenhuma gramática grega. Por que se o autor seguisse uma gramática grega, ele veria exatamente o que expliquei acima: que a forma kecharitomene é como o partícipio perfeito do verbo charitoo é formado. Isto não tem nada a ver com uma palavra híbrida, como o autor tenta alegar.
Ora, os exemplos que ele usa para fundamentar sua argumentação são completamente sem sentido. Por exemplo, para "provar" que KE é uma partícula que transforma o verbo em "particípio pretérito", ele cita Mateus 14:19, que nos traz a forma verbal κελευσας. Então ele conclui este é formado por κε + λευσας... Mas estamos aqui falando do verbo κελεύω, cujo radical JÁ POSSUI KE. O autor está, portanto, tentando enganar seus leitores.
Temos o mesmo em sua análise da terminação menh. Ele usa como exemplo o texto de João 15:16, que emprega μενη, que é um presente ativo do subjuntivo. Mas o menh que está no final dos verbos no particípio são na verdade apenas sufixos que indicam a voz do verbo, no caso, o passivo ou o médio.
Basicamente o que eu escrevi acima já dá uma explicação gramatical sobre o termo e sobre as questões envolvidas na tradução desta palavra.

Só achei interessante a citação de Eclesiástico 18:17. O termo se tornou tão importante na teologia católica que o texto de Eclesiástico se torna messiânico para não diminuir o que é dito de Maria mais tarde. Não é resultado de uma análise do contexto. E desta forma o católico destrói o contexto onde estas palavras estão inseridas, que é o de ensinar as pessoas como presentear outros.

Abraços.
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+8 #2 Evaldo Mendonça 12-10-2015 16:42
Paz em Cristo.

Irmão, necessitamos de sua ajuda para refutar os comentários de um católico conforme abaixo, que foram apresentados em um grupo de debates. Você é nossa referência em Grego, portanto contamos com a sua ajuda, para instruir corretamente aos irmãos na fé.

1.0. O TERMO (CHARITOÓ) É IMPRECISO, POR ISSO, O EVANGELISTA UTILIZA UM HIBRIDISMO (κε*χαριτω*μενη), PARA QUE TODOS ENTENDESSEM A DIMENSÃO EXTRAORDINÁRIA DA GRAÇA DE DEUS EM MARIA).
κεχαριτωμενη, que é uma palavra composta morfologicamente em DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA HÍBRIDA.
Parassintetismo é uma palavra que possui, ao mesmo tempo, um prefixo (ke) e um sufixo (menh) circundando em seu radical (núcleo - charitoó), sendo estes dois acréscimos, necessários para demonstração do tempo, intensidade e a potência.
Isso era muito comum no koiné, dada a influência do semitismo linguístico. Esta palavra, assim, possui prefixo – “ke”; radical ou raiz – charitoó; e o sufixo - menh.
Daí já se percebe, que o hagiógrafo São Lucas, teve o claro cuidado e zelo em especificar uma diferenciada, diferida e especialíssima na condição da Graça em torno da Santíssima.


1.1. Exemplo de Hibridismo Linguístico na Biblia: II. Tess. 1, 3: S> Paulo inicia o texto: "deveriamos sempre dar graças (Εὐχαριστεῖν eucharistein) a Deus por vós" A palavra graça Εὐχαριστεῖν é a fusão - EuXAristeo (UE = "bom" Xaris = "graça") ou seja, a Graça no sentido de Bondade de Deus. Usou-se este termo, pois não havia outro para expressar a Graça, no sentido de Bondade. Carvalho Fabiano. Portanto, sem fundamento a alegação do Evaldo Junior, que não havia hibridismo no grego kolné. ( Fonte Lexico - Paulus, textos espistolares e expressões semitistas)



2.0. A melhor tradução da palavra κεχαριτωμενη em S. Lucas 1, 28, seria “agraciada” ou “cheia de graça”?
Diz o texto:
No grego: “28 καὶ εἰσελθὼν πρὸς αὐτὴν εἶπεν: χαῖρε (κεχαριτωμένη) ὁ κύριος μετὰ σοῦ.”
A palavra Agraciada, adjetivo daquele que comunga na Graça (χάρις) no grego koiné, é um termo impreciso, que tanto pode indicar apenas um instante, para sempre, ou por longo período ou qualquer período no tempo, presente, futuro ou passado.
Adjetivo é uma classe gramatical que atribui uma qualidade ao sujeito ou ao objeto, sendo que quando opera no sujeito, torna-se um atributo personalíssimo (intuite persona), e assim, quando predicamos de modo genérico alguém como titular da Graça (favor, benção, recompensa), não poderíamos dimensionar o tempo, alcance e a qualidade da Graça empregada, ficando a adjetivação vaga, abstrata e imprecisa. Adjetivos aplicados de modo amplo são indefinidos nos vetores tempo; intensidade e potência.
Se alguém é “agraciado, surge a necessário esclarecer:
1) QUANDO? – no passado, presente, futuro ou nos três tempos básicos?
2) COMO? – em que circunstância potencial ou consequencial?
ou ainda;
3) em qual INTENSIDADE? – se agraciado por completo, incompleto, ou mais que completo?
Porquanto, uma tradução rasa, simplista e econômica para “κεχαριτωμενη” teria necessariamente que abrir lacunas geradas sobre as condições em que essa Graça surge e se desenvolve no indivíduo.



4.0. EXEMPLOS NA BIBLIA DO PREFIXO 'KE USADO NO PARTICÍPIO DO PRETÉRITO:
São Mateus 14:19
Como dito, o particípio do pretérito, que leva os verbos as terminações “ido(a) ou ado(a) levando a ação do presente até um tempo passado.
Alguns exemplos na Bíblia:
a) E,tendo MANDADO que a multidão se assentasse sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões.
(κε)λεύσας[keleúsas] Aoristo no Particípio do Pretérito;
b)Ordena, pois, que o sepulcro seja GUARDADO com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro..
κέλευσον[keleuson] Aoristo Imperativo Ativo, 2ª sing
c) Atos 4:15
E,MANDADO-os sair do Sinédrio, consultavam entre si,
κελεύσαντες[keleúsantes] Aoristo Particípio do Pretérito.



5.0. O PREFIXO “KE” RETIRA A AÇÃO DO VERBO Charitóo dO PRESENTE, LEVANDO-O AO PARTICÍPIO DO PRETÉRITO.
O texto em S. Lucas, traz S. Maria como objeto e Deus Pai como sujeito (ela é dotada de Graça – agente da passiva) e ele o sujeito (agente ativo).
Nesse contexto, temos então o termo prefixal “ke” usado dentro do particípio do pretérito, vez que a ação de Deus não estava se realizando - Maria sendo agraciada no momento; mas já estava realizada (“agraciada”) já está no particípio do pretérito, que leva os verbos as terminações “ido(a) ou ado(a)”
Sendo que o particípio do pretérito traz a ação do pretérito até o tempo presente, mesmo “agraciada” identificaria a Graça na qual foi investida Maria até o limite máximo num tempo pretérito, ou seja, desde o seu nascimento.Temos então, que até mesmo o próprio termo agraciada, já decorreria de uma AMPLIAÇÃO DO LIMITE TEMPORAL da Graça em Maria.



6.0. JÁ O SUFIXO MENH (MENO) - (ke) charitoó (MENO), INDICA UMA AÇÃO CONTINUATIVA, UMA GRAÇA ININTERRUPTA NO PASSADO, E QUE PERMANECERÁ PARA TODO O TEMPO FUTURO.
O sufixo menh ( men-o ou meno), no grego koiné, traz a noção de uma ação positiva (potência), que expressa uma relação fática de trato sucesso, ou seja, que já existia no pretérito, e continuará existindo definitivamente (ad perpetum) no futuro.
Uma condição de permanência ( ficar) de modo inalterado: Vejamos:
"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que FIQUE ETERNAMENTE convosco. kai egw erwthsw ton patera kai allon paraklhton dwsei umin ina *MENH meq umwn eiV ton aiwna (São João 14, 16) "
"Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, E O VOSSO FRUTO PERMANEÇA. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. "
uc umeiV me exelexasqe all egw exelexamhn umaV kai eqhka umaV ina umeiV upaghte kai karpon ferhte kai o karpoV umwn *MENH ina o ti an aithshte ton patera en tw onomati mou dw umin (São João 15, 16)
Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que SERÃO (EM SENTIDO PERMANENTE) considerados como descendentes.
mhpw gar gennhqentwn mhde praxantwn ti agaqon h kakon ina h kat ekloghn tou qeou proqesiV *MENH ouk ex ergwn all ek tou kalountoV (Romanos 9, 11)



7.0.PALAVRA HIBRIDA NÃO REQUER TRADUÇÃO LITERAL, MAS SEMÂNTICA. NÃO É KEKARITOMENE (S. LUCAS 1, 28) X KEKARITOMENO (ECLO 18, 17); MAS KEKARITOMENE = KEKARITOMENO. O verbo agraciar (charitóo) TAMBÉM É ENTENDIDO NO ÂMBITO DA BONDADE E DA JUSTIÇA.
Como já explicado, o grego koiné é dialeto eivado de HIBRIDISMO. Nas palavras híbridas, a mensagem no contexto do texto – (entendimento sincrônico com a ideia do autor), se sobrepõe a interpretação rígida ou LITERALIDADE. Ex. No inglês: Grand (maior) Father (pai)= Grandfather que significa e se traduz apenas por Avô. Ninguém traduz LITERALMENTE Grandfather para “Grande Pai” ou “Pai maior,” mas Avô.
Outro exemplo, agora no grego:
(II Tess. 1, 3): Sentimo-nos na obrigação de incessantemente DAR GRAÇAS A DEUS a respeito de vós, irmãos. Aliás, com muita razão, visto que a vossa fé vai progredindo sempre mais e desenvolvendo-se a caridade que tendes uns para com os outros.
No grego, temos:
“EUCARISTEIN ofeilomen tw qew pantote peri umwn adelfoi kaqwV axion estin oti uperauxanei h pistiV umwn kai pleonazei h agaph enoV ekastou pantwn umwn eiV allhlouV”plo
No texto, o termo "sempre dar graças (Εὐχαριστεῖν eucharistein)" é a fusão das palavras EuXAristeo (UE = "bondade" + Xaris = "graça") ou seja, a Graça no sentido agradecer a Deus por Bondade. Usou-se este termo, pois não havia outro para expressar a Graça neste no sentido.
Dar Graças, Agradecer pela Bonde, é portanto, representado no termo híbrido EUCARISTEIN



8.0. O HIBRIDISMO TAMBÉM EM ECLESIÁSTICO 17-18, FOI PARA SE REFERIR A GRAÇA DE CRISTO COMO JUSTIÇA – EM S. LUCAS 1, 28, REFERE-SE A GRAÇA DE DEUS COMO PERFEIÇÃO, INFUSA EM MARIA. AMBOS EXPRESSAM UMA GRAÇA PLENA, EXTRAORDINÁRIA E INCOMUM.
Em Eclesiástico o autor do se refere a Deus/Cristo como único Justo (JUSTIÇA INATA, INCONGRUA, NÃO RECEBIDA DE TERCEIRO, MAS EM ESSÊNCIA DO PRÓPRIO SER)
“O Eterno tudo criou sem exceção, só o Senhor será considerado justo. Ele é o rei invencível que permanece para sempre. A doçura das palavras não prevalece sobre a própria dádiva? Mas uma e outra coisa se encontram NO HOMEM JUSTO. (Eclo 17, 1 e 18)”
Quisesse se referir a UM JUSTO QUALQUER, E NÃO AO HOMEM DEUS ENCARNADO, usaria-se a palavra “Dikaioó (δικαιόω).
Entretanto, opta o autor para justo, o uso da palavra Kekaritomeno (variando o “meno” no gênero masculino).
É a mesma palavra usada em relação a Santíssima, só que dentro da ideia que o cap. 18 de Eclesiástico quer ensinar, ou seja, Justiça Divina. E a JUSTIÇA DE DEUS NÃO É UMA JUSTIÇA COMUM, MAS INCOMUM, provinda da GRAÇA. Isso explica o uso deste termo híbrido (ke) charitoó=Graça em sentido Justiça e (menh=meno), PARA COLOCAR ESSA GRAÇA NO SUPERLATIVO, TIRANDO-A DO COTIDIANO, DA ZONA DO COMUM.
O prefixo ke, no participio pretério traz a Justiça de Deus desde tempo passado (da Criação) até o presente e o sufixo “menh=meno”, como já explicado, torna essa Justiça PERMANENTE para o tempo vindouro. Então, literalmente, poderia se dizer que a Justiça do Cristo foi, é, e permanecerá sempre JUSTA, PLENA E ABUNDANTE no tempo, intensidade e potência.
Assim como a Graça em sentido de Justiça identificada em Cristo, é a Graça em perfeição infusa (in Condigno) em relação a SS. Maria, (incomum), sendo as duas Graças PLENAS. AS ÚNICAS VEZES QUE A PALAVRA kekaritomene FOI USADA, era PARA SE REFERIR A GRAÇA DA JUSTIÇA DIVINA E A PERFEIÇÃO INFUSA NA SANTÍSSIMA. SÓ ISSO MOSTRA QU ECLESIÁSTICO CONFIRMA A GRAÇA DE MARIA EM PLENITUDE E INCOMUM, E JÁ REFUTA POR COMPLETO O POST,



9.0 O CHEIA DE MARIA (KEKARITOMENE) É DIFERENTE DO“CHEIO” DE S. ISABEL E S. JOÃO BATISTA (PIMPLÉMI).
Embora atinjam a noção fartura, essas locuções se distinguem em DIMENSÃO. Pimplémi(παιδεύσῃς/eplhsqhsan/plhsqhsetai/plhsqh), demonstra o estado Espiritual em que ficou ISABEL com a visita da Santíssima. No koiné significa algo que é completado durante o seu curso, e não algo que já completo desde sua origem. É o termo usado para uma certa abundância, em “momento específico” ou na “fração do tempo” em que se completa, se torna cheio.”
“Salmo 37, 8: INTEIRAMENTE inflamados os meus rins; não há parte sã em minha carne. “oti ai yuai mou EPLHSQHSAN empaigmwn kai ouk estin iasiV en th sarki mou”
Embora em essência (substância interior), se indique inflamações em todo corpo, não significa plenitude Dimensional, (larga abrangência em tempo e espaço), porque evidencia situação transitória, momentânea. “Inteiramente inflamado” não implica que todo CORPO FOI DESDE O COMEÇO, E FICOU PARA SEMPRE” inflamado, havendo prováveis variantes.
Quando S. Lucas, no capítulo 1, utiliza “pimplémi” para descrever que [...] Isabel FICOU “CHEIA” do Espírito Santo; - foi pra deixar claro que ali não havia a plenitude dimensional, pois não “era desde sempre; e nem se tornou daí pra frente” Cheia do Espírito Santo.
S. Lucas 1, 41: “kai egeneto wV hkousen h elisabet ton aspasmon thV mariaV eskirthsen to brefoV en th koilia authV kai EPLHSQH pneumatoV agiou h elisabet)”
Já no versículo 25, 1, Isabel exclama: “Graça ME “FEZ” o Senhor.”
O termo “fez” no grego está “uti” (πνεύματος “ἁγίου” ἡ ἐλισάβετ), levando o verbo “Fazer” ao presente do indicativo, esclarecendo que a ação em S. Isabel, NUNCA FOI NO PARTICÍPIO PRETÉRIO (KE), NEM NO FUTURO CONTÍNUO (MENH). Cheia naquele episódio pontual. Pimplémi não foi empregada a Ssa, para demonstrar CLARAMENTE que o “cheia” de Isabel diferenciava do “Cheia” da Santíssima.
Portanto, o cheia de S. Isabel significa abundância relativa (NÃO PLENA), abundância que não vem desde sua origem. mas que se completará no curso progressivo.
Também o mesmo termo foi usado para S. João Batista, como “cheio” do Espírito Santo.
SS. Maria foi cheia desde a origem (CONCEPÇÃO), já que sua condição é narrada no particípio pretérito (ke), e no futuro do presente, em trato contínuo (menh).
Mas em contrário, S. João Batista se torna cheio do Espírito, desde o ventre de Isabel, tendo Evangelista ESPECIFICADO O MOMENTO EM QUE ELE SE ENCHEU NO VENTRE MATERNO:
porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo [...] ISABEL OUVIU A SAUDAÇÃO DE MARIA, A CRIANÇA ESTREMECEU NO SEU SEIO; E ISABEL FICOU CHEIA DO ESPÍRITO SANTO. (S. Lucas 1, 15 e 41)
Isto explica o uso de uma mesma palavra (pimplémi), tanto para S.Isabel quanto para S. João, demonstrando que ambos NÃO ERAM EM PLENITUDE MÁXIMA, E QUE SE ENCHERAM NO MESMO MOMENTO.



10.A GRAÇA DE MARIA (KEKARITOMENE) DIFERE DO CHEIO DE GRAÇA DE ESTEVÃO (PLÉRÉS CHARITOÓ). PLÉRÉS USADA PARA CRISTO TEM SENTIDO ESPECIAL. Plerés e Pimpléme no koiné são Sinônimos. (plhrhV/προσετέθη).
Plérés indica algo cheio em quantidade, mais que também se realiza progressivamente, em situações específicas e momentâneas, não sendo uma abundância completa, PLENA desde todo tempo.
“Gênesis 24-8: E entregou sua alma, morrendo numa ditosa velhice, em idade avançada e CHEIO DE DIAS, e foi unir-se aos seus. - “kai eklipwn apeqanen abraam en ghrei kalw presbuthV kai PLHRHV hmerwn kai proseteqh proV ton laon autou”
O versículo diz que Abraão teve muitos (abundantes) dias de vida enquanto viveu, MAS ele NÃO NASCEU CHEIO DE DIAS” (quando nascemos temos apenas um único dia, óbvio). ELE FOI SE ENCHENDO DE DIAS, PROGRESSIVAMENTE, NA MEDIDA EM QUE VIVIA.
Logo, plérés não indica algo já completo, pleno de uma só vez, mas uma ação que vai se completando no futuro, diferenciando da condição de plenitude da Graça, presente na Virgem.
“(Atos 6, 5): Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram ESTÊVÃO, HOMEM CHEIO de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia
No grego: “kai hresen o logoV enwpion pantoV tou plhqouV kai exelexanto STEFANON ANDRA PLHRH pistewV kai pneumatoV agiou kai filippon kai procoron kai nikanora kai timwna kai parmenan kai nikolaon proshluton antiocea
O cheio de Estevão era incompleto, e se enchia de modo progressivo.
No entanto, confusões surgem nos protestantes, pelo fato do Evangelista também ter usado a palavra plérés em relação a Cristo Cheio do Espírito Santo: CHEIO do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto. (S. Lucas, 4-1). No grego: “ihsouV de pneumatoV agiou PLHRHV upestreyen apo tou iordanou kai hgeto en tw pneumati eiV thn erhmon”
Lógico que Cristo não se enchia do Espírito Santo, nem o Espírito Santo ia lhe completando progressivamente, porque Cristo é Deus, e o Espírito Santo, uma das suas pessoas trinitárias que já estão contidas em sua essência.
Esse versículo foi inserido dentro de uma INTEPRETAÇÃO SISTÊMICA, ou seja, dentro do contexto da ideia, não sendo bastante para compreensão apenas a interpretação literal, idiomática. O verso que completa o plérés em Cristo, em sentido exegético (alcance da ideia do escritor)está também em S. Lucas também: “O menino ia crescendo e se fortificava: ESTAVA CHEIO DE SABEDORIA, E A GRAÇA DE DEUS REPOUSAVA nele. (S. Lucas 2, 40) – Essa é a tradução exata.
No grego: “paidion huxanen kai ekrataiouto pneumati PLHROUMENON sofiaV kai cariV qeou hn ep auto”
Temos aqui outra palavra composta: plérés + menh = plhroumenon. O sufixo *menh também compõe a palavra KekaritoMENO = ke + charitoó + menh, e como já explicado anteriormente, o sufixo “menh”, torna o CHEIO (plérés) DE CRISTO PERMANENTE, de trato contínuo, indicando situação preexistinte (verbos no particípio pretérito – estava; repousava), e que continuará, definitivamente no futuro. Logo, o CHEIO de Cristo É DIFERENTE DO CHEIO DE S. ESTEVÃO, apesar do hagiógrafo ter usado a mesma palavra (plérés), sendo certo que usou a combibação desses dois versículos, para explicar PLENITUDE da Graça de Cristo, como usou “kekaritomene” para a plenitude da Graça na Ssa. (Lexico FRIBERG, ANALYTICAL GREEK LEXICON e Lexico RUSCONI -PAULUS)"



10.1 Por fim, resta explicado porque o termo "kekaritomene" e o não uso dos termos "pimplemi e plérés" para a Ssa. Pimplemi indica uma graça incompleta e momentânea. Pléres, usado pra Cristo dentro do contexto indica Graça e ES em plenitude, mas usado para uma criatura, por mais perfeita que seja como SSa. teria o mesmo significado de enchimento incompleto.
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+7 #1 Luiz 19-09-2015 16:37
Olá Gustavo

Boa tarde

Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo excelente texto.

Entendendo que Maria foi agraciada pois Deus colocou nela a Sua Graça possibilitando assim a ela ser altamente favorecida por este ato santo de Deus o termo “agraciada” então nos leva a crer que precisamente por causa disso ela tinha uma graça plena e na verdade poderia estar “cheia de graça” pois a graça de Deus não vem por etapas ou medidas mas de forma completa conforme João 3:34 e é interessante que nessa passagem fala do Espírito Santo e não da Graça porém um crente enquanto membro do Corpo de Cristo tem tanto Graça logo é cheio ou cheia de graça e é cheio do Espírito Santo também e uma outra passagem interessante é Atos 4:33 então a questão é como tal graça agiu em Maria e nos demais crentes. Em Lucas 1:35 fala da Santíssima Trindade pois menciona o Santo Deus Espírito Santo o Santo Deus Pai ao usar a palavra “Altíssimo” e o Santo Deus Filho ou seja a menção das 3 Santas Pessoas agindo em Maria já indica uma particularidade no ato de Deus por isso que a questão de como Deus agiu nela é importante observar que é o fato de Maria ter em seu ventre Jesus e reparem que em Lucas 1:11,13,18-19 mostra um anjo falando com um homem o anjo não falou direto para Isabel mas com Maria foi diferente ou seja o anjo falou diretamente com ela e a palavra κεχαριτωμενη é usada justamente na pessoa de Maria ou seja a pessoa de Maria foi identificada com “cheia de graça” ou “agraciada” e em Mateus 1:18 , 20 em Lucas 1:35 fala da ação do Espírito Santo no santo evento e reparem que a palavra Espírito Santo se referindo a Maria ter Jesus aparece 3 vezes apontando assim para a Santíssima Trindade e também pelo fato de se usar a palavra Espírito Santo indica a santa ação da Santíssima Terceira Pessoa. É interessante também e oportuno entender que a Bíblia mostra muitas vezes a expressão “cheios do Espírito Santo” e sendo ele um Ser Pessoal e a Graça algo não pessoal então se os crentes são cheio do Espírito Santo muito mais serão cheios de graça e as passagens que falam de Maria e sua relação como o Espírito Santo no santo ato de ter Jesus em seu ventre mostram a ação em harmonia do Deus Espírito Santo de uma forma bem específica e isso pode demonstrar a ação única e especial dEle em Maria possibilitando inclusive a ação da Graça em Maria ser de uma forma totalmente especial. Em Lucas 1:41 Isabel ficou “cheia do Espírito Santo” mas será que Isabel já não tinha Graça e já não tinha o Espírito Santo? Sim ela tinha, a passagem apenas enfatiza o agir que Deus tinha realizado em Maria tendo por base Lucas 1:30 onde diz que Maria já tinha Graça e Graça dada por Deus sem contudo negar o agir de Deus em Isabel. Considerando o verbo χαριτόω com o seu significado de acordo com o dicionário padrão BDAG e a palavra χάρις que é como você bem escreveu significa graça eu entendo que devemos ver como a Graça de Deus agiu em Maria até porque todos os crentes são de alguma forma cheios de graça i.e. agraciados.

Uma passagem que fala sobre Estevão estar cheio do Espírito Santo está em Atos 7:55 e em Atos 6:8 fala que ele “ fazia prodígios e grande sinais” em Atos 15:12 mostra Paulo e Barnabé realizando “grande sinais e prodígios” e em Atos 11:22-24 fala que Barnabé era “ cheio do Espírito Santo” então a questão é como o Espírito Santo e a Graça agem nos crentes. Em Atos 7:55 a Bíblia menciona a Santíssima Trindade e Estevão perto de sua morte viu no céu o Pai e o Filho e no caso de Maria teve a ação direta nela da Santísima Trindade de uma forma toda especial e uma outra questão interessante é que Estevão estava no momento de sua morte e Maria estava para ter Jesus ou seja a vida de Jesus estava começando. Essa questão do contraste entre a morte e a vida parece indicar uma diferenciação de ação entre Maria e Estevão.

Em relação ao argumento que a expressão “ cheia de graça” preencheria ela por completo e não apenas isso mas poderia indicar um processo em que Maria foi criada em uma condição imaculada e permanece assim até hoje e sempre é que é a questão do debate então a palavra “ agraciada” também poderia indicar isso pois se ela foi agraciada logo recebeu Graça de Deus e tal graça agiria nela fazendo ela ficar Cheia de Graça. Porém pode-se pensar que tanto a expressão “ cheia de graça “ como a palavra “agraciada” não conferem à Maria um estado imaculado mas sim uma missão de ser mãe de Jesus o que não deixa de ser algo extraordinário. Resta saber como essa Graça agiu em Maria . Pelo que eu entendi ela já tinha Graça conforme Lucas 1:30 e apenas recebeu a mensagem do anjo.
Muito interessante e pertinente o seu comentário Gustavo sobre a questão verbal pois estando verbo no particípio passivo perfeito e sendo o perfeito um tipo de passado o termo então indica que naquele momento Maria tinha sido altamente favorecida por Deus pois Deus a agraciou ficando ela assim Cheia de Graça e então conclui-se que realmente ela foi agraciada em algum momento. Em Lucas 1:30 diz que antes de Maria ter Jesus dentro dela enquanto corpo físico Deus tinha achado graça nela então Maria já tinha Graça será que essa Graça que foi achada em Maria foi diferente da Graça que Deus agraciou ela? Considerando que o perfeito tem o foco no resultado devemos analisar como esse resultado agiu em Maria ou seja Deus como causa da Graça quis que Maria participasse do santo evento e então o resultado do agir de Deus teve como resultado Maria ter sido a mãe de Jesus e para Maria ter sido a mãe de Jesus tem uma outra questão: O santo evento é que construiu a Graça em Maria ou Maria já tendo a Graça como base essa base serviu como estrutura para o santo evento? A resposta está em Lucas 1:30.

A questão de entender que essa questão de Maria ser considerada Imaculada remeter a algo atemporal pois Maria foi criado por Deus na esfera material se ela "foi santa e será durante todo o sempre, toda pura, toda imaculada" ela é ou seria depois de criada.
Em relação ao tempo gnômico e o exemplo de Romanos 7:2 a sua explicação está excelente porém assim como você muito bem escreveu que a expressão “Deus ama” é eterna eu entendo que a Graça no crente também é eterna. Pelo que eu entendi em Romanos 7:2 está se usando um perfeito gnômico e não um presente gnômico então seria algo temporário e em Lucas também foi usado um perfeito gnômico então tanto a questão de Deus amar o ser humano é tão eterna quanto a Graça de Deus estar no ser humano. Eu não entendi muito bem a diferença entre ser contínuo e distributivo, visto que se a Graça é distribuída por Deus aos crentes isso não implicaria dizer que ela não é uma ação contínua na vida do crente.
Considerando que o perfeito pode enfatizar os resultados então podemos concluir que tal resultado é a graça dada por Deus em um momento passado e considerando o estado presente naquele momento ou seja que Maria estava agraciada isso foi resultado de um ato passado i.e. da graça dada por Deus antes a Maria e que tendo como base tal graça conseguiu ter Jesus enquanto corpo dentro dela. Maria tinha Graça naquele momento pois tal Graça foi que sustentou o santo evento. Se o estado presente naquele momento era a graça e considerando que Maria sempre teve graça a questão é como essa graça agiu nela.
O perfeito pode indicar uma ação completa de um ato passado então a graça de Deus foi posta de maneira completa em Maria. Maria ainda não estava com Jesus dentro dela e a graça foi para sustentar isso então concluimos que quando Maria ouviu do anjo aquela mensagem ela já estava com a Graça e tal graça deveria permanecer nela para ela ter Jesus como corpo dentro dela pois não teria sentido Maria no momento que recebeu a mensagem do anjo ter a graça e antes não. Bom de qualquer maneira para ela ter sido agraciada ela recebeu uma graça. Considerando que o palavra estaria enfatizando o fim de uma ação que no caso seria receber a graça, Deus decidiu em algum momento colocar graça em Maria e na sequência em um outro momento Deus concluiria tal ação e aí a graça teria sido posta em Maria e portanto ele estaria com a graça porém fica uma pergunta: quando foi esse momento? Maria ao ouvir a palavra do anjo já estava com a graça a menos que a graça que ela recebeu foi uma graça especifica naquele momento e então ela tinha uma graça anterior que foi retirada e foi colocada essa graça ou então ela não tinha graça.

Maria assim como os demais crentes como membros do Corpo de Cristo sempre será santa assim como sempre será cheia do Espírito Santo a questão é como a graça agiu nela e age nos demais crentes e junto com a graça a ação do Espírito Santo. O anjo enfatizou o estado de Maria naquele momento por que ela recebeu a Graça de Deus ou seja ficou cheia de graça porque foi agraciada. A questão então é atrelar tal santidade com um estado imaculado i.e. sem pecado.

Um grande abraço e felicidades

Luiz
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