• Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

    Mateus 5:44,45

  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível

    .

    Mateus 17:20

  • Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

    Lucas 15:4

  • Então ele te dará chuva para a tua semente, com que semeares a terra, e trigo como produto da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia o teu gado pastará em largos pastos.

    Isaías 30:23

  • As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

    João 10:27

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A tenacidade do texto do Novo Testamento

Escrito por  Kurt e Barbara Aland

Tenacidade

A transmissão da tradição textual do Novo Testamento é caracterizada por um grau extremamente impressionante de tenacidade1. Uma vez que uma leitura surge ela irá persistir com obstinação. É precisamente a esmagadora massa de tradição textual do Novo Testamento, assumindo o ὑγιαίνουσα διδασκαλία do criticismo textual do Novo Testamento (nós esperamos que o leitor não fique ofendido por esta aplicação de 1Tm 1:10), que fornece uma garantia de certeza ao estabelecer o texto original. Mesmo sem os lecionários (cf. p. 163), há ainda a evidência de aproximadamente 3200 manuscritos do texto do Novo Testamento, para não mencionar as antigas versões e as citações patrísticas – nós podemos estar certos que entre estes há ainda um grupo de testemunhas que preserva a forma original do texto, apesar da difundida autoridade da tradição eclesiástica e o prestígio do texto mais recente.

Tomemos como exemplo o final do evangelho de Marcos, Marcos 16:9-20. Esta passagem, que é conhecida como o “final longo de Marcos”, lê um texto absolutamente convincente, mas ainda entre as edições do Novo Testamento Grego desde Tischendorf somente Merk e Bover o admite em seus textos sem alguma forma de qualificação. Todos os outros o colocam entre colchetes simples ou duplos. No Nestle-Aland26 Marcos 16:9-20 é fornecido em colchetes duplos e precedido por um parágrafo curto chamado “o final curto de Marcos”, que está também entre colchetes duplos. Isto é resultado de uma cuidadosa avaliação da tradição de manuscritos.

É verdade que o final longo de Marcos 16:9-20 é encontrado em 99 porcento dos manuscritos gregos assim como o resto da tradição, desfrutando por um período de séculos de uma quase sanção eclesiástica como parte genuína do evangelho de Marcos. Mas no Codex Vaticanus (B) assim como no Codex Sinaiticus (א) o evangelho de Marcos termina em Marcos 16:8, assim como ele terminava em vários outros manuscritos de acordo com declarações de Eusébio de Cesareia e Jerônimo. O mesmo é verdade para o siríaco sinaítico sys, o manuscrito Latino Antigo k do quarto/quinto século e pelo menos um manuscrito saídico do quinto século, o mais antigo georgiano e um grande número de manuscritos Armenianos, enquanto k (um manuscrito representando uma tradição que deriva de um período bem antigo) tem o final curto no lugar do final longo. A prática disseminada na Igreja antiga de concluir o evangelho de Marcos em 16:8 foi suprimida pela tradição da Igreja, mas ela não pôde ser erradicada. Ela persistiu teimosamente. Tão tarde quanto o século décimo segundo no minúsculo 304 o evangelho termina em 16:8. Um considerável número de manuscritos adicionam Marcos 16:9-20 ou com notas críticas ou com um comentário marginal questionando sua originalidade, mesmo tão tarde quanto o século dezesseis! Este é um exemplo notável do que é chamado de tenacidade na tradição textual do Novo Testamento (cf. pág. 291). O texto de Marcos 16:9-20 contém não apenas um resumo das aparições de Jesus ressurreto, mas também o comando para evangelizar em uma forma mais radical que aquele em Mateus, e também um relato da ascensão de Jesus. Apesar da grande, para não dizer fundamental, importância destas declarações na vida teológica e prática da Igreja, um número significativo de manuscritos gregos, incluindo entre eles os dois importantes unciais B e א, permaneceram fiéis ao texto transmitido e o preservaram através dos séculos, pelo menos chamando atenção para as dúvidas a respeito de 16:9-20 – um testemunho também compartilhado entre as versões e os Pais da Igreja.

Esta tenacidade é ainda mais notavelmente demonstrada pela persistência do que é chamado de final curto em k e em outros lugares. O final curto é preservado como único final, como notamos acima, somente no manuscrito Latino Antigo k. Mas há todo um grupo de unciais (0112 do sexto/sétimo século, 099 do sétimo século, L do oitavo século e Ψ do oitavo/nono século) que o preserva junto com 16:9-20, mesmo colocando-o primeiro, ou seja, resultando na ordem 16:1-8, final curto, 9-20. Além disto há o l1602, um lecionário uncial do oitavo século e o minúsculo 579 do décimo terceiro século que suportam esta ordem. Fora da tradição grega é encontrado também nas versões, na cóptica e na siríaca, assim como na etíope com seus geralmente bem tardios manuscritos. Isto é quase inconcebível porque estes dois finais são rivais e formas mutuamente exclusivas. Mas ainda assim eles foram preservados lado a lado em manuscritos e versões por séculos, simplesmente porque os escribas os encontraram em seus exemplares (contudo independentemente em cada instância). A situação pode ser explicada somente assumindo que o final do evangelho em 16:8 foi considerado insatisfatório à medida que seu uso se espalhou por todas as províncias da igreja primitiva em suas décadas mais antigas. Nesta forma ela fala do sepulcro vazio, mas as aparições aos discípulos são apenas preditas e não recontadas. Então o evangelho foi provido de um final, certamente pelo segundo século. O final curto foi uma solução inefetiva, ou porque ela foi um estágio muito inicial do desenvolvimento ou representou uma comunidade isolada e relativamente pouco desenvolvida, enquanto o final longo foi mais efetivo porque foi formulado mais tarde e/ou representa um autor mais competente. Os dois finais provavelmente se originaram independentemente e em províncias diferentes da Igreja. Não pode haver dúvida de que o final longo era superior ao final curto e o desbancaria em qualquer competição. Mas o final curto existiu em algum tempo e continuou a ser copiado não só enquanto o final longo era desconhecido mas até mesmo depois, e ele foi geralmente colocado antes do final longo. Além do mais, mesmo a tradição original do final do evangelho em 16:8 não pôde ser apagada completamente pelo final longo, por mais que se imaginasse que ele servia inadequadamente as necessidades da Igreja: ele também sobreviveu através dos séculos.

A transmissão do final do evangelho de Marcos é o exemplo mais notável da tenacidade na tradição textual do Novo Testamento. Qualquer leitura que ocorresse uma vez continuaria a ser preservada fielmente. Leituras mistas ou associadas atestam que o que é verdade para grandes unidades também é para as pequenas. Para dar só dois exemplos: Mt 13:57 lê ἐν τῇ πατρίδι no texto. Seguindo o padrão de João 4:44 um grupo de manuscritos (L W 0119 etc.) é influenciado por Marcos 6:4 e Lucas 4:24 a ler ἐν τῇ πατρίδι αὐτοῦ. Tomados juntos estes produziram em C e alguns outros manuscritos a leitura ἐν τῇ ἰδίᾳ πατρίδι αὐτοῦ. Isto é típico: um escriba familiarizado com ambas leituras irá combiná-las, raciocinando que ao preservar os dois textos o texto correto certamente será preservado.

Em Marcos 1:16 o novo texto hoje tem τὸν ἀδελφὸν Σίμωνος. Um grupo de manuscritos (A Δ 0135 etc.) ao contrário lê τὸν ἀδελφὸν τοῦ Σίμωνος, enquanto outros (D W Γ Θ etc.) têm τὸν ἀδελφὸν ἀυτοῦ, os quais (assim como também Mt 13:57) são prováveis variantes dentro do escopo das regras gerais declaradas acima (págs. 282f.). Há também, claro, uma leitura mista encontrada na tradição de manuscritos (K 074 etc.): τὸν ἀδελφὸν ἀυτοῦ τοῦ Σίμωνος. Exemplos similares são encontrados repetidamente no aparato crítico. Em cada instância é (ou pelo menos deveria ser) óbvio que a leitura que combina duas leituras separadas é em si mesma secundária, e que resta apenas determinar qual dos dois (ou mais) componentes da leitura é o original. Em cada instância deveria ser o que melhor explica a origem dos outros. Tanto em Mt 13:57 e Mc 1:16 a sequência é óbvia.

Mt 13:57

a) ἐν τῇ πατρίδι

b) ἐν τῇ πατρίδι αὐτοῦ (Marcos 6:4; Lucas 4:24)

c) ἐν τῇ ἰδίᾳ πατρίδι (João 4:44)

d) ἐν τῇ ἰδίᾳ πατρίδι αὐτοῦ

Somente (a) explica todas as outras. Pode-se perguntar se (b) é mais antigo que (c) ou cerca da mesma idade; a conexão entre (b) e os dois outros Evangelhos Sinóticos é um argumento para sua prioridade. Mas é óbvio que (d) é a última das leituras.

A situação é bem parecida em Marcos 1:16. De acordo com os princípios local-genealógicos a única sequência possível parece ser:

a) τὸν ἀδελφὸν Σίμωνος

b) τὸν ἀδελφὸν τοῦ Σίμωνος

c) τὸν ἀδελφὸν ἀυτοῦ (Mt 4:18)

d) τὸν ἀδελφὸν ἀυτοῦ τοῦ Σίμωνος

A ordem de (b) e (c) poderia ser revertida, pois eles poderiam ter surgido independentemente um do outro. De qualquer forma, é certo que (d) é a última forma, e consequentemente (a) é o texto original, a fonte das outras leituras. Evidência justificando a construção acima pelo método local-genealógico (cf. págs. 280f., Regras 8 e 6) está amplamente disponível no aparato crítico do Nestle-Aland26 (GNT3 não fornece um aparato para estas leituras).

A consideração destas leituras mistas ou associadas neste ponto é somente uma aparente interrupção de nosso treino de pensamento. Nenhum exemplo é de qualquer forma significativo teologicamente ou textualmente, então eles são mais instrutivos. Pois quando interesses teológicos ou pastorais afetam uma leitura eles podem romper as leis normais de transmissão textual e exercer sua influência de formas distintas. Quando tais questões não estão de forma alguma em consideração, a operação das leis da crítica textual podem ser vistas mais claramente (nós esperamos que isto pareça auto evidente). É provavelmente claro que o elemento de tenacidade na tradição textual do Novo Testamento não só permite mas exige que nós procedamos com a premissa de que em cada instância de variação textual é possível determinar a forma do texto original, ou seja, a forma que cada documento individual passou para o reino da literatura publicada por meios de cópia e distribuição formal – assumindo um entendimento apropriado da tradição textual. O vasto número de testemunhas do texto não é simplesmente um fardo – é também uma ajuda positiva.

Há certamente exemplos de grandes distúrbios no texto do Novo Testamento causados por motivos tanto teológicos como pastorais, porque muitas expressões no texto original não eram facilmente adaptados para necessidades posteriores. Mas mesmo quando estas necessidades teológicas ou pastorais eram tão urgentes quanto as do final do evangelho de Marcos (cf. págs 292f.) elas não puderam revogar as leis da transmissão textual do Novo Testamento. Quando uma alteração era feita no texto do Novo Testamento – por mais que o texto fosse importante, por mais que ele fosse extensivamente adotado por razões pastorais ou teológicas, e mesmo se ele se tornasse o texto aceito pela Igreja – sempre continuou havendo uma corrente da tradição (algumas vezes larga, algumas vezes estreita) que se manteve inalterada, e isto por razões puramente técnicas. Bem do princípio a tradição dos livros do Novo Testamento era tão amplo quanto o espectro de Igrejas e teólogos cristãos. Mesmo no primeiro e especialmente no segundo século, seus números eram notoriamente grandes. Esta tradição não poderia ser intimamente controlada porque não havia centros que pudessem fornecer tal controle (centros eclesiásticos não foram desenvolvidos até o terceiro/quarto século, e mesmo aí sua influência era limitada a suas respectivas províncias). Além do mais, não só cada igreja mas cada indivíduo cristão sentia “uma relação direta com Deus”. Mesmo no segundo século cristãos ainda se consideravam como possuindo inspiração igual àquela dos escritos do Novo Testamento que eles liam em seus serviços de adoração2. Não é por acaso que na literatura extracanônica os traços mais antigos do texto dos Evangelhos não podem ser distinguidos com confiança até os escritos de Justino na metade do segundo século, e que o período que se segue é ainda caracterizado por um senso de liberdade. Praticamente todas as variantes substanciais no texto do Novo Testamento são do segundo século (exceto pelo texto “parafrásico”; cf. pág. 95), apesar dos princípios gerais delineados nas págs. 282f. continuarem sendo válidos.

Maiores perturbações na transmissão do texto do Novo Testamento pode sempre ser identificado com confiança, mesmo se ocorreram durante o segundo século ou em seu princípio. Por exemplo, por volta de 140 d.C. Marcião tratou radicalmente o final de Romanos, o interrompendo no capítulo 14. Este golpe ousado, juntamente com os dois diferentes finais (Rm 16:24 e 16:25-27) que foram então adicionados, apesar da presença solene da conclusão epistolar em 16:20 (porque sua função foi obscurecida pelos cumprimentos anexados em 16:21-23), tudo resultou em uma proliferação de leituras na tradição.

Kurt Aland enumerou não menos que quinze diferentes formas aqui em seu Neutestamentliche Entwürfe (Munique: 1979), sem contar as adicionais variedades representadas pelos subgrupos das quinze formas. (Considerações de espaço impedem mais do que uma referência aqui a este ensaio ou ao capítulo no mesmo volume sobre o final de Marcos; os fatos podem ser somente mencionados em seus contornos mais amplos. A discussão sobre os finais de Marcos nas págs. 292f. lida apenas com a evidência externa; para critérios internos o leitor é conduzido a este ensaio).

Isto confirma a tenacidade da tradição, mas também mostra algo mais (que é novo para o iniciante, apesar de ser um fato familiar para o crítico textual com experiência – ou pelo menos deveria ser): a variedade e complexidade sem limite da tradição textual do Novo Testamento serve a função de um sismógrafo, porque quanto mais ele registra maior o terremoto, ou no presente contexto quanto maior a perturbação da tradição textual do Novo Testamento. A tradição textual para a conclusão de Romanos é tão complicada que ela só pode ser tratada analisando o texto em quatro unidades: 1:1-14:23 = A; 15:1-16:23 = B; 16:24 = C; 16:25-27 = D. A forma mais antiga que sobrevive da tradição aparece como se segue:

  1. א B C 048, minúsculos importantes, a tradição cóptica e importantes manuscritos da Vulgata: 1:1-16:23 + 16:25-27 (A + B + D)

  2. D (em Paulo este não é mais Codex Bezae Cantabrigiensis 05, mas Codex Claromontanus 06), F (010), G (012), e outros: 1:1-16:23 + 16:24 (A + B + C)

Evidentemente 16:25-27 (D) representa o final de Romanos encontrado comumente no Leste e 16:24 (C) a forma dominante no Oeste. Cada um foi adicionado a Romanos independentemente (assim como foi também os finais de Marcos). O resultado foi bem caótico: C foi adicionado a manuscritos com o final D, e D àqueles com o final C, tanto depois do capítulo 14 (como em manuscritos com capítulos 14-15 apagados segundo Marcião, cuja influência também sobreviveu na tradição de manuscritos) ou depois do capítulo 16. Não só as sequências A-B-C-D e A-B-D-C ocorrem, mas também A-D-B, A-D-B-C, e até mesmo A-D-B-D (ou seja, com 16:25-27 repetido), A-D-B-C-D, e A-D-B-D-C, em esplêndida abundância! Em nosso ponto de vista isto demonstra dois princípios confiáveis: (1) quando o texto do Novo Testamento foi manipulado em sua transmissão, as leituras se espalham como um grupo de galinhas atacadas por uma águia, ou até mesmo por um cão; e (2) cada leitura existente na tradição textual do Novo Testamento é obstinadamente preservada, mesmo se o resultado for sem sentido. O escriba que já tem a leitura (secundária) de 16:24 adiciona a ela o (igualmente secundário) final (16:25-27), algumas vezes até duplicado, com menor preocupação com a possibilidade de repetição do que com o perigo de perder uma parte do texto. O que nós observamos na leitura associada é repetido aqui em uma escala maior. Isto confirma a conclusão de que qualquer leitura ocorrida na tradição textual do Novo Testamento, da leitura original em diante, foi preservada na tradição e precisa somente ser identificada. Qualquer interferência com o processo regular de transmissão (de acordo com as regras descritas acima nas págs. 282f.) é sinalizada com uma abundância de variantes. Isto nos leva a uma conclusão adicional que nós cremos ser tanto lógica quanto convincente, que onde uma abundância de leituras não existe o texto não foi perturbado mas foi desenvolvido de acordo com as regras normais. Nenhuma das teorias de composição avançadas hoje em várias formas com respeito às cartas paulinas, por exemplo, têm qualquer suporte na tradição de manuscritos, seja em grego, nas versões mais antigas, ou nas citações patrísticas do Novo Testamento. Em lugar nenhum onde uma interrupção foi suposta nas cartas paulinas o aparato crítico mostra sequer uma suspeita de qualquer interferência com o inevitável depósito de variantes denunciadoras. Em outras palavras, do princípio de sua história como tradição de manuscritos, as cartas paulinas sempre tiveram a mesma forma que elas possuem hoje.

Isto não é, contudo, a palavra final, porque a competência da crítica textual do Novo Testamento é limitada ao estado do texto do Novo Testamento do momento que ele iniciou sua história literária através da transcrição para distribuição. Todos os eventos antes disto estão além de seu escopo. Para ilustrar isto a partir do evangelho de João: para propósitos de crítica textual o evangelho é composto de vinte e um capítulos em sua sequência presente de 1 a 21. É só nesta forma, com o capítulo final anexado e na presente ordem de capítulos que o livro é encontrado através da tradição de manuscritos. Qualquer edição, rearranjamento, revisão e assim por diante, que ele teve, deve ter ocorrido antes, se ocorreu (com a exceção do Periscope Adulterae, que está faltando em uma parte considerável da tradição). Igualmente, qualquer recomposição imaginada das correspondências paulinas para formar o presente corpo de cartas paulinas deve ter ocorrido antes delas começarem a circular como uma unidade, se ocorreu. A questão de tal possibilidade não pode ser discutida aqui, mas deve-se observar que a forma que o capítulo 21 foi anexado ao evangelho de João argumenta contra tais teorias complexas, com as de Rudolf Bultmann, por exemplo. Um redator precisaria somente apagar 20:30-31, e a sequência seria bem sutil – mas isto é precisamente o que não foi feito. É também bem duvidosa a teoria de que em algum lugar uma coleção original de cartas de Paulo que contém todos os textos essenciais foi compilada em uma revisão feita pelo colecionador baseado nos autógrafos. É bem mais provável que a tradição começou com vários grupos pequenos de cartas colecionadas sob diferentes circunstâncias, e que qualquer teoria de uma revisão geral é gratuita (cf. Aland, Neutestamentliche Entwürfe, págs. 302-350).



The text of the new testament ALAND, Kurt e ALAND, Barbara, The text of the New Testament, An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism, Wm. B. Eerdman's Publishing Co., págs. 291 a 297.

Notas

1. O texto é traduzido da versão inglesa. No entanto, sabemos que a SBB fez a tradução de todo o livro, disponível no link https://www.sbb.com.br/o-texto-do-novo-testamento.html. Recomendamos a leitura desta obra àqueles que desejam entender mais sobre a história da crítica textual e como ela é feita hoje. N. do T.

2. Como pode ser notado pelas palavras do autor a seguir, ele se refere à maneira livre que escritores cristãos até o segundo século citavam as Escrituras. Tal citação livre não só dificultava qualquer controle do texto do Novo Testamento, mas torna improvável que alguém tenha pensado em fazer tal coisa. N. do T.

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