• Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

    Mateus 5:44,45

  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível

    .

    Mateus 17:20

  • Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

    Lucas 15:4

  • Então ele te dará chuva para a tua semente, com que semeares a terra, e trigo como produto da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia o teu gado pastará em largos pastos.

    Isaías 30:23

  • As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

    João 10:27

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Verso do dia

Reação cristã contra o nazismo

Escrito por  André Biéler
Guerra

Surpreendidas pela guerra, as Igrejas não puderam pôr em execução o projeto que haviam feito preparar pelo famoso Comité des 35 para constituir um Conselho Ecumênico das Igrejas. Mas transmitiram sua vontade de união e de ação a um Comité provisoire du Conseil oecuménique des Eglises, cuja direção confiaram a um teólogo eminente, o Dr. W. A. Visser t'Hooft, nomeado secretário geral. Com uma equipe reduzida mas eficacíssima, ele desenvolveu atividade extraordinária durante todas as hostilidades, não obstante os obstáculos excepcionais que defrontava sem cessar.

Convém voltar ao período anterior à guerra para compreender a natureza dessas dificuldades. Crise econômica sem precedente abatia-se com violência sobre todos os países industriais. Além da caridade individual, os Estados e os povos só dispunham de raríssimas instituições sociais, capazes de socorrer a multidão de famílias sem recursos porque sem trabalho, mergulhadas na mais extrema miséria e muitas vezes reduzidas à mendicidade. Número sempre maior de necessitados punham suas esperanças no marxismo revolucionário, materialista e anti-religioso, ou nas novas manifestações de um fenômeno social e político até então muito pouco conhecido, um neopaganismo nacionalista, que pretendia utilizar o Cristianismo para seus fins ambíguos, precisamente, dizia, para combater o materialismo marxista. A confusão era completa até nas Igrejas.

O facismo italiano atacava a Etiópia, o franquismo saía vitorioso da guerra civil da Espanha, as juventudes hitlerianas alemãs mobilizavam até 90% dos jovens, pelo entusiasmo e pela ameaça. Perto de 600.000 dentre eles estavam seduzidos e excitados misticamente nas formações para-militares rigorosas pela devoção ao Führer Adolf Hitler1.

No início, esses movimentos fascistas encontravam eco favorável até nas paróquias mais recônditas. Invadindo a Europa toda, obtiveram o apoio junto aos católicos romanos, por vezes com a aprovação confessa ou tácita da hierarquia, porque representavam, a seus olhos, a defesa da Igreja e do catolicismo contra o comunismo. Os cristãos reformados, os protestantes dos países nórdicos ou as minorias dos países latinos, a França inclusive, resistiram mais depressa. Convém dizer que a noção de ordem e de autoridade hierárquica das ditaduras correspondia melhor à visão religiosa romana da organização do mundo e da Igreja do que à percepção democrática do Cristianismo reformado. Sob este aspecto, um luteranismo enrijecido, cuja piedade estabelecia uma parede estanque entre os dois reinos, o espiritual e o temporal, favoreceu, na Alemanha, mais fácil complacência dos crentes para com a nova ideologia política. Mas é nesse país, entretanto, que se desenvolveram muito rapidamente forças de resistência importantes. Opuseram-se com firmeza a esse neopaganismo, formando uma Eglise confessante no seio das Igrejas estabelecidas. Essa minoria corajosa lutou, a custo de duros sacrifícios, de perseguições, de denúncias e de prisões freqüentes, contra os Deutsche Christen, os Cristãos Alemães, favoráveis ao nazismo. Fora nesse contexto histórico ocidental, não esqueçamos, que se haviam reunido as conferências ecumênicas de Oxford (Vie et action) e de Edimburgo (Foi et constitution) em 1937, seguidas da constituição do Conselho Ecumênico das Igrejas em formação (COE) e do maravilhoso encontro da juventude cristã internacional em Amsterdã, em 1939. E foi nesses encontros que se fortificaram as convicções dos cristãos, que iam trabalhar a renovação das Igrejas, à vista de um combate visionário pela unidade dos cristãos e em prol da paz e da justiça.

Não será surpresa que os Cristãos Alemães, reunidos em Eisenach, condenem o movimento ecumênico e o denunciem como uma Internacional cristã destinada à mesma sorte que a Internacional marxista2!

Eis porque a primeira tarefa, que se apresentou ao Conselho Ecumênico em formação, foi o de arrastar os crentes para se devotarem a um combate em todas as frentes contra o neopaganismo, que os ameaçava, e organizar assim a resistência dos povos a esse novo flagelo.

Já em 1936, a Eglise confessante endereçara a Hitler um memorando denunciando, em nome do Evangelho, o próprio fundamento da ideologia e da prática do nacional-socialismo. Um dos signatários desse manifesto era Reynold von Thadden, esse corajoso leigo do movimento dos estudantes cristãos da Alemanha. Fazia parte, também, dos organizadores das Semaines évangeliques, oferecidas pela Eglise confessante às paróquias que quisessem participar da resistência.

A Eglise confessante organizara, também, uma escola de teologia em Barmen, de onde partira, em 1934, a famosa "Declaração de Barmen". O redator principal dela fora Karl Barth. Ela serviu de confissão de fé para os cristãos alemães da resistência e depois, por intermédio sobretudo do Conselho Ecumênico, para os cristãos do mundo inteiro, na sua luta contra o neopaganismo em processo de progressão rápida3.

Tratava-se também, para o Conselho Ecumênico, de despertar a atenção dos cristãos para a onda anti-semita que varria a Europa e atingia até mesmo as Igrejas. O chefe dos SS alemães, H. Himmler, não hesitava em preconizar o terrorismo e genocídio contra os judeus. Na noite de 9 de novembro de 1938, denominada "A Noite de Cristal", o nacional-socialismo desencadeou uma "explosão de forças brutais e demoníacas contra a humanidade". Duzentas sinagogas foram incendiadas e milhares de lojas judias pilhadas.

Tão logo instalado em Genebra, no início de 1939, o secretário geral do novo Conselho teve de abandonar a discrição que lhe impunham certas Igrejas, em razão do fato de que o conselho era apenas provisório e não podia, portanto, falar em nome das Igrejas, particularmente das Igrejas alemãs. Visser t'Hooft convocou certo número de eminentes representantes das diversas confissões, como Karl Barth e o bispo anglicano Bell. Redigiram em conjunto uma declaração que o arcebispo Temple, o pastor Boegner, William Paton e Visser t'Hooft assinaram, em nome do Conselho. Essa importante declaração dizia especialmente: "O reconhecimento da unidade espiritual de todos aqueles que permanecem em Cristo, sem distinção de raça, nação ou sexo (Gálatas 3, v.28, Colossenses 3, v. 11), é a essência mesma da Igreja". "A fé cristã é a obediência a Jesus Cristo, o Messias de Israel. Com efeito, a salvação vem dos judeus (João 4, v. 22). O Evangelho de Jesus Cristo é a realização da esperança judia".

"A Igreja de Cristo só deve obediência a Jesus Cristo e... reconhece que a Jesus Cristo foi dada não apenas parte, mas toda a autoridade no céu e na terra... Ela não pode subtrair-se à missão de proclamar sua soberania em todos os domínios da vida, inclusive a política e a ideologia". E, por isso, o que se inferia naturalmente, não se confunda, de uma parte, a santidade do Reino com a laicidade da política, mas, da outra parte, não se lhes neguem as relações, a segunda sendo subordinada à primeira.

Não se podia opor com maior clareza aos Chrétiens allemands que declaravam: "A fé cristã é o adversário irresistível do judaísmo"4.

A luta da Igreja resistente alemã foi um combate verdadeiramente heróico. Convém assinalar a esse respeito que a oposição ao nazismo e à expansão nacionalista alemã exigiu, em todos os países em guerra contra a Alemanha, muita coragem. Os movimentos de resistência foram notáveis. Mas, lutando contra uma invasão estrangeira, eles beneficiavam-se de certo apoio moral e ativo, muitas vezes clandestino, por parte de porção não negligenciável de seus compatriotas, a despeito das traições freqüentes dos covardes, dos oportunistas e dos colaboradores do inimigo. Na Alemanha, em compensação, a resistência a esse nazismo racista, que glorificava o nacionalismo e o patriotismo de um povo entusiasta, orgulhoso de seu passado e extasiado por suas novas conquistas, exigia muito mais coragem ainda. Só pequena minoria de cristãos, motivados por fé vigilante e consciente das traições do neopaganismo, foi capaz de empreender tal combate que exigia alma de mártir. Os resistentes eram frequentemente tidos por traidores de sua pátria e perseguidos por sua suposta cumplicidade com o inimigo, sobretudo comunista depois da ruptura do pacto germano-russo.

O exemplo dessa valente resistência foi encorajamento muito estimulante para os cristãos dos outros países, graças aos laços que o Conselho Ecumênico Provisório mantinha com eles a partir de Genebra. O pastor balense Alphonse Koechlin, da Federação das Igrejas Protestantes da Suíça, obteve das autoridades federais facilidades não negligenciáveis para o trabalho muitas vezes clandestino desse Conselho. O escritório de Genebra tornou-se centro importantíssimo de comunicação entre todos os movimentos de resistência onde militavam cristãos. Visser t'Hooft, que viajava muito, também clandestinamente, utilizava o que chamava de "a via suíça" para facilitar importante circulação de pessoas e documentos5. Todos esses contatos secretos deviam servir, em particular, para obter dos governos dos países ocupados, refugiados em Londres, e dos Estados Unidos, a certeza de que concederiam aos alemães condições de paz dignas, se os resistentes conseguissem derrubar o governo. Tratava-se de encorajar essa resistência, cujos objetivos eram muitas vezes mal-compreendidos. O princípio da capitulação incondicional adotada pelos aliados fazia ainda mais impopular a resistência aos olhos dos alemães, notadamente nos meios militares. Isso explica, em parte, o fracasso do atentado contra Hitler em 20 de julho de 1944. Esse fracasso levou, entre outras, à condenação do teólogo Dietrich Bonhoeffer que fora detido exatamente antes do golpe6.

A exterminação dos judeus tomara proporções pavorosas, no Oeste como também na Polônia e na Rússia. O COE empenhava-se ardentemente em prestar-lhes socorro por todos os meios possíveis. Era-lhe, todavia, difícil alertar a opinião pública a favor deles, porque o que se passava atingia tal grau de desumanidade e de horror e tanta crueldade era perpetrada contra crianças, mulheres, idosos e inocentes, simplesmente porque eram judeus, que isso, a muitos, parecia inverossímil e se afigurava provir de propaganda pouco objetiva.

As intervenções do COE, na Rússia sobretudo, onde sustentava a resistência das Igrejas contra o Estado totalitário comunista, quando este combatia os aliados, eram muitas vezes mal-compreendidas e suspeitas. Homens corajosos como o arcebispo Temple tomavam publicamente defesa do COE na Grã-Bretanha, junto ao governo.

Não obstante as censuras que podia receber de diversos lados, o COE continuou incansavelmente sua atividade corajosa. Colaborava com diversas organizações de socorro, especialmente junto aos refugiados, como o Cimade (comitê agrupando grande parte dos movimentos protestantes de juventude) na França, com o apoio do pastor Marc Boegner e a enérgica colaboração de Madeleine Barrot. Seu departamento de auxílio mútuo aos refugiados e aos prisioneiros de guerra alcançou intensa atividade. Favoreceu a formação de "paróquias do cativeiro", cuja esmolaria ele mantinha7. Nesses campos de prisioneiros ou de refugiados, muitos crentes de origens confessionais diversas descobriram uma fraternidade que deveria fazer deles, de volta a seu país, ardentes militantes do novo ecumenismo.

Notas

1. G. Mützenberg, L' éthique sociale..., op. cit., p. 53.

2. W. A. Visser t'Hooft, ibid., p. 52.

3. Ibid., pp. 113 e 123.

4. Ibid., pp. 125 e 127.

5. Ibid., p. 175 e seguintes.

6. Ibid., pp. 193, 195, 208.

7. Ibid., pp. 170 e 211.

A força oculta dos protestantesAndré Biéler, A força oculta dos protestantes, Editora Cultura Cristã, 189 a 193.

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