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Vida e obra de Martinho Lutero

Vida e obra de Martinho Lutero, monge agostiniano que deu início à Reforma protestante na Alemanha.

ShareMartinho Lutero

Uma das figuras mais polêmicas do cristianismo e responsável maior pela reforma protestante, Martinho Lutero nasceu em 10 de Novembro de 1483, na cidade de Eisleben, filho de Hans e Margareth Luther. Na manhã seguinte, festa de Martim de Tours, foi batizado com o nome do santo do dia, na igreja de São Pedro e Paulo.

Hans Luther, seu pai, foi fazendeiro, mineiro, dono de mina, e posteriormente fez parte do conselho da cidade de Mansfeld, para onde eles se mudaram quando Lutero tinha um ano de vida. O luterano Martin Marty1 descreve a mãe de Lutero como sendo uma grande trabalhadora da classe comerciante, enquanto nota que os inimigos de Lutero a descreviam como prostituta ou atendente de banheiros. Seus pais assinavam alternativamente os sobrenomes de Lüder, Luder, Loder, Ludher, Lotter, Lutter ou Lauther. A forma conhecida hoje como Luther foi escolhida pelo próprio Lutero por volta de 1512. Ele derivou seu nome ou do duque Leuthari ou da palavra grega ελεύθερος (livre), de onde ele tira a palavra flexionada Eleutherios (o livre)2.

Lutero frequentou a escola da cidade de Mansfeld de 1488 até 1497. Depois disto ele frequentou a Magdeburger Domschule. Ali ele estudou com os Irmãos da Vida Comum, comunidade religiosa católica que enfatizava uma vida de simples devoção a Jesus. Estes haviam estabelecido na Alemanha e Holanda escolas onde o ensino era oferecido “para o amor de Deus apenas”. Depois disto, em 1498, Lutero é enviado para os franciscanos em Eisenach, onde ele recebeu educação em música e poesia, se destacando como cantor. Desde cedo então, o jovem Lutero recebia influência religiosa.

De 1501 até 1505, Lutero vai estudar na faculdade de Erfurt, recebendo o título de “Magister Artium” da faculdade de Filosofia. Ali ele recebe educação básica em latim nas matérias de Gramática, Retórica, Dialética, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia.

Seguindo o desejo de seu pai, Lutero então inicia seus estudos de direito, na mesma faculdade, no ano de 1505. No entanto, abandona os estudos não muito tempo depois. Em 2 de julho daquele ano, depois de uma visita aos seus pais em Mansfeld, retornando para Erfurt durante uma tempestade, Lutero teve medo de morrer quando um raio cai perto dele, e chama Santa Ana, dizendo “Me ajude, santa Ana, e eu me tornarei um monge!”. Sua promessa pode ser explicada tanto pelo medo da morte e do julgamento divino, que posteriormente ele confessa a seu pai, como também pela educação religiosa que recebeu até então. Assim, em 17 de julho, contra a vontade de seu pai (que via aquilo como um desperdício de toda a educação que Lutero recebeu), ele entra em um monastério agostiniano em Erfurt.

Ali ele se dedica com tando afinco à vida monástica, se devotando a jejuar, passar horas orando, em peregrinação e em frequente confissão. Posteriormente ele diria que “Se alguém pudesse ganhar o céu como monge, eu certamente estaria entre eles”3. Foram anos de desespero espiritual que ele posteriormente descreveria: “Eu perdi contato com Cristo o Salvador e Confortador e fiz dele o carcereiro e carrasco da minha pobre alma”4. Tanta dedicação o faz diácono já em 27 de fevereiro de 1507, e padre em 4 de abril do mesmo ano.

O motivo de tanto desespero espiritual se encontrava no sacramento da penitência. Os pré-requisitos deste sacramento eram arrependimento sincero, falta de medo diante da punição divina e a confissão de todos os pecados, inclusive os pecados secretos, mesmo os desconhecidos pela pessoa. Estes pré-requisitos Lutero levava bastante a sério, chegando posteriormente a duvidar da sua capacidade de cumpri-los, o que o levou a duvidar ainda do perdão de Deus.

Assim Johann von Staupitz, seu confessor e vicário geral da congregação, concluiu que Lutero precisava de mais trabalho para distraí-lo de excessiva introspecção, ordenando ele a buscar uma carreira acadêmica em Wittemberg, em 1508, onde entra em contato com a teologia de Guilherme de Ockham. Em março de 1509 recebe o grau de bacharelado em Estudos Bíblicos, que o permitiu ler alguns trechos bíblicos com os acadêmicos. Poucos meses depois recebe outro grau de bacharelado nas Sentenças de Pedro Lombardo, que o permitiu expô-las. Pouco depois disto retorna para Erfurt.

Em 1510, Lutero viaja para Roma, em uma missão em nome de seu convento. A casa de Erfurt e seu prior, Johann Nathin, pertenciam a um movimento de reforma dentro da ordem Agostiniana que buscava expandir uma observância mais estrita da Regra. Em setembro de 1510, uma união entre as ordens foi anunciada, o que para estes monastérios reformados como o de Erfurt, significava uma perda do que já havia sido obtido. Por este motivo, estas congregações decidiram apelar para o vicário geral, Giles (Egidio) de Viterbo, em Roma. Assim, Lutero foi escolhido para levar a apelação ao vicário geral. Viagens assim não poderiam ser feitas sozinho, pois isto era proibido pela ordem. Provavelmente foi acompanhado por Anton Kresz da casa de Nuremberg, que estava encarregado da missão.

Foi em Roma que Lutero teve grande decepção. Segundo relatos de seu filho Paulo, que ouviu isto de seu pai em 1541, Lutero ali subiu a famosa Scala Santa de joelhos, pedindo penitência por ele e seus parentes. Arrependido de seus atos, volta a Alemanha.

Em setembro de 1511, retorna a Wittenberg. Em 19 outubro de 1512 ele recebe o título de Doutorado em Teologia, e em 21 de outubro de 1512 recebeu o convite para ocupar a posição de Doutor na Bíblia na mesma faculdade, título que manteve até o fim de sua vida.

Contra a venda de Indulgências

Um ano antes da elaboração das 95 teses, Lutero já pregava abertamente contra as indulgências. No verão de 1517, ele recebe uma carta do cardeal Albrecht, intitulada Instructio Summarium, permitindo a venda de indulgências no país. Parte das rendas serviria para pagar as dívidas dele com a família Fugger, que financiaram seu príncipe eleitor. Para esta tarefa, ele envia Johann Tetzel.

No dia 4 de setembro de 1517, Lutero distribui 97 teses entre seus discípulos e colegas sobre uma disputa com a teologia escolástica. Depois disto Lutero elabora suas 95 teses a respeito das indulgências, que, segundo Filipe Melanchthon, teriam sido fixadas na porta principal da Igreja de Todos os Santos, em Wittenberg, no dia 31 de outubro de 1517, evento que ficou mais tarde conhecido como o estopim para a reforma protestante.

Tal fato é hoje muito questionado. Alega-se por um lado que Filipe Melanchthon não poderia ser testemunha ocular do evento, pois chegou à universidade como professor apenas em 1518. Além disto se alega também que tal ato seria interpretado como uma provocação aos seus superiores. Havia sim o costume de se fixar teses nas portas da Igreja, mas isto acontecia apenas depois de se verificar as reações de bispos ao trabalho fixado. Lutero não desejava confrontar seus superiores, mas sim, esclarecer alguns pontos sobre as indulgências.

Por outro lado, Filipe Melanchthon era amigo muito próximo de Lutero. Mesmo não sendo testemunha ocular, ele poderia muito bem ter ouvido o relato do próprio Lutero. Além disto, ele nunca fez disto um fato extraordinário, ficando difícil entender por que Melanchthon poderia mentir ou até mesmo se enganar sobre este ponto.

Sabe-se no entanto que Lutero escreveu uma carta ao arcebispo Albrecht de Mainz e Magdeburg em 31 de outubro de 1517, onde ele denunciava a venda de indulgências e exigia o esclarecimento de mal-entendidos. Com a carta ele enviou 95 teses, as quais serviram de base para uma discussão sobre o assunto. Mas Albrecht não respondeu esta carta, enviando-a para Roma. Johann Tetzel reagiu escrevendo contra-teses, com a ajuda do teólogo Johannes Eck, professor da cidade de Ingolstadt.

A resposta do papa foi colocar a questão debaixo da jurisdição dos agostinianos, cuja próxima reunião capitular seria em 26 de abril de 1518, conhecida hoje como a Disputa de Heidelberg, cidade onde aconteceu. Para lá foi Lutero, temendo por sua vida, mas encontrando amplo apoio por parte dos monges ali. Nesta disputa, Lutero pôde elucidar sua teologia, onde pregava a graça de Deus. A questão é que Lutero via seu entendimento sobre esta graça como o alicerce para seu ataque às indulgências. Foi em Heidelberg que Lutero convenceu muitos futuros reformadores, entre eles Martin Bucer, sobre a veracidade de sua teologia.

Assim, o papa Leão X teve que tomar outro caminho. Se reuniria em Augsburgo, em outubro de 1518, a dieta do império, ou seja, a assembléia de todos os potentados alemães, sob presidência do imperador Maximiliano. O legado papal para esta dieta era o cardeal Cajetano, cuja grande missão era convencer os príncipes alemães da necessidade de empreender uma cruzada contra os turcos, que ameaçavam a Europa, e de promulgar um novo imposto para este fim. O papa então comissionou Cajetano a se entrevistar com Lutero e o obrigar a se retratar. Se o monge negasse, deveria ser levado prisioneiro a Roma.

No entanto, o príncipe eleitor Frederico, o Sábio da Saxônia, em cuja jurisdição vivia Lutero, obteve um salvo conduto do imperador Maximiliano para Lutero, a quem se dispôs a ajudar em Augsburgo, mesmo sabendo que pouco mais de cem anos antes, e em circunstâncias muito parecidas, Jan Huss tinha sido queimado em violação a um salvo-conduto imperial.

A entrevista, que ocorreu entre 12 e 14 de outubro, não rendeu o resultado desejado. O cardeal se recusava a discutir com o monge e exigia sua renúncia. Por outro lado, Lutero não estava disposto a se retratar antes de ser convencido de seu erro. Quando descobriu que Cajetano poderia levá-lo a Roma como prisioneiro, abandonou a cidade às escondidas na noite do dia 20 para o dia 21.

Frederico ajudava Lutero não por que estava convencido por suas doutrinas, mas sim por que ele desejava que fosse dado um tratamento justo a Lutero. Ele desejava evitar o que havia acontecido com Jan Huss anos antes. Assim estavam as coisas, quando em janeiro de 1519, morre o imperador Maximiliano. A escolha de sucessores ao trono alemão não era feita por sucessão, e sim por eleição. Logo começou-se a discutir quem seria o sucessor de Maximiliano. Os dois candidatos mais poderosos eram Carlos I da Espanha e Francisco I, da França. Para o papa, nenhum dos dois candidatos convinha ser eleito, já que o império alemão fortaleceria qualquer um dos dois de forma desproporcional. Roma precisava de um candidato cujos atrativos residiam não no poder, mas sim, na sabedoria e justiça. E por isto não havia candidato melhor que Frederico.

Desta forma, como Frederico defendia Lutero até que este tivesse um julgamento justo pelo menos, Leão X prorrogou a condenação de Lutero, enquanto se aproximava do eleitor que o protegia. Por fim, Karl von Miltitz, parente de Frederico, foi enviado pelo papa à Alemanha, para obter uma solução amigável. Em entrevista com Lutero, conseguiu deste a promessa de não continuar a controvérsia desde que seus inimigos fizessem o mesmo. Isto trouxe uma breve trégua.

Isto durou até que Johannes Eck desafiasse, não Lutero, mas sim Karlstadt, colega de Lutero na universidade de Wittenberg, a um debate em Leipzig a cerca das doutrinas do livre-arbítrio e da graça, que ocorreu em Junho de 1519. Karlstadt havia se convencido das doutrinas de Lutero, porém era muito mais impetuoso e exagerado que Lutero. Como suas doutrinas seriam discutidas em Leipzig, Lutero declarou que participaria também do debate.

Quando chegou o momento de Eck e Lutero debaterem, ficou claro que Lutero conhecia mais sobre as Escrituras, enquanto Eck estava mais à vontade nas matérias de Direito Canônico e Teologia Medieval. O assunto do debate foi expandido, e Eck foi mais hábil em levar a discussão para as áreas que dominava. Assim, Eck obrigou Lutero a declarar que o Concílio de Constança havia se enganado ao condenar Huss, e que um cristão com a Bíblia, no seu entender, tem mais autoridade que todos os papas e os concílios contra ela. Isto foi o suficiente para Eck acusar Lutero de herege, por apoiar um herege condenado (Huss) por um concílio ecumênico.

Neste tempo, Carlos I da Espanha já havia sido eleito imperador alemão, por isto o papa não precisaria mais adiar nenhuma condenação de Lutero. Por outro lado, os defensores da causa de Lutero souberam aproveitar bem as condições políticas em seu favor. Além do número sempre crescente de seus seguidores, Lutero tinha as simpatias dos humanistas, que viam nele um defensor da reforma que eles mesmos propunham, e dos nacionalistas, para quem o monge era o porta-voz do protesto alemão diante dos abusos de Roma.

Excomunhão

Assim, o papa tardiamente agiu, enviando a bula Exsurge domine, em 15 de junho de 1520, onde ordenava que os livros de Lutero fossem queimados, dando ainda sessenta dias para se submeter à autoridade romana, sob pena de excomunhão e anátema. As obras do Reformador foram queimadas em muitos lugares onde foi recebida. No entanto, quando Lutero a recebeu, a queimou juntamente com outros livros com as doutrinas dos papistas. Este era o rompimento definitivo.

Dieta de Worms

Lutero em WormsEmbora o imperador Carlos V fosse católico fervoroso, não hesitou em usar o caso de Lutero para obter o apoio papal. Em todo caso, decidiu-se que Lutero deveria comparecer à dieta de Worms, que ocorreu de 28 de janeiro até 25 de maio de 1521. Esta dieta reunia vários súditos do império, e o príncipe eleitor Frederico obteve salvo-conduto para que Lutero pudesse comparecer à dieta, o que ocorreu no dia 18 de abril.

No interrogatório, Lutero foi apresentado a vários livros de sua autoria, para ser questionado se eles eram realmente seus livros, o que ele confirmou. Sendo confirmada a autoria dos livros, o interlocutor perguntou a ele se ele continuava sustentando as doutrinas ensinadas naqueles livros.

Este era um momento muito difícil para Lutero, que temia não o imperador ou o papa, mas sim a Deus, que os ordenara. Assim, pediu um dia para refletir sobre sua resposta.

No dia seguinte, a pergunta foi refeita. Em sua resposta, Lutero dividiu seus escritos em três categorias: a primeira não era mais que a doutrina cristã que tanto ele como seus inimigos sustentavam, e portanto ninguém deveria pedir-lhe que se retratasse daquilo. A segunda parte tratava sobre a tirania e as injustiças a que estavam submetidos os alemães, e também disto não se retrataria, pois tal não era o propósito da dieta, e tal negação somente contribuiria para aumentar a injustiça que se cometia. A terceira parte, que consistia em ataques a certos indivíduos e em pontos de doutrina que seus oponentes refutavam, certamente não havia sido escrita com demasiada aspereza. E assim tão pouco dela se retrataria, a não ser que lhe convencessem de que estava enganado.

Seu interlocutor insistiu: “Retratas-te, ou não”? E Lutero lhe respondeu em alemão mesmo “Não posso nem quero retratar-me de coisa alguma, pois ir contra a consciência não é justo nem seguro. Deus me ajude. Amém”. Alguns ainda dizem que ele acrescentou as palavras: “Aqui estou e não posso fazer diferente”. Mas atualmente se acredita que tais palavras foram adicionadas posteriormente.

Nos próximos 5 dias conferências foram mantidas para se decidir o destino de Lutero. Temendo pela própria vida, Lutero fugiu de Worms, antes que sua condenação fosse declarada. Durante a fuga, Lutero foi sequestrado por um grupo de homens armados, a mando de Frederico, o sábio, e foi levado ao castelo de Wartburg, em segredo. Ali Lutero passaria um bom tempo escondido.

Tradução da Bíblia

Hugo vogel: Lutero em WartburgLutero ficaria no castelo de Wartburg até 1 de março de 1522, sob o pseudônimo de Junker Jörg. Dedicaria seu tempo a escrever, e entre as obras mais importantes de Lutero, está o início da tradução do Novo Testamento para o alemão, obra que ele terminaria 2 anos depois (o Velho Testamento levaria mais de 10 anos). Esta importante obra deu forma ao idioma alemão, além de permitir o povo a ler as Escrituras.

Enquanto Lutero estava no exílio, vários de seus colaboradores continuaram seu trabalho em Wittenberg, entre eles Karlstadt e Phillip Melanchthon. Lutero era tão temente a Deus que tinha vacilado em dar os passos concretos que seguiam sua doutrina. Em sua ausência, estes passos foram dados de forma mais rápida. Muitos monges e freiras deixaram seus conventos e se casaram, o culto foi simplificado, usava-se o alemão no culto, abandonou-se as missas pelos mortos, cancelaram-se os dias de abstinência e jejum. Melanchthon começou a oferecer a comunhão de ambos os modos, dando o cálice para os leigos também.

Isto era bem visto para Lutero no começo, mas quando Karlstadt começou a se dedicar a derrubar imagens, Lutero lhes aconselhou moderação. O clima instável em Wittenberg facilitou a entrada de três leigos conhecidos por Profetas de Zwickau, que diziam que Deus lhes falava diretamente, e não tinham necessidade das Escrituras. Melanchthon não sabia responder a estas pretensões, então pediu conselhos a Lutero em Wartburg. Este percebeu que o que estava em jogo era nada mais nada menos que o Evangelho, e retornou a Wittemberg, em 6 de março de 1522.

O retorno a Wittenberg pôde ser feito em segurança, por causa das condições políticas. Pouco tempo depois da dieta de Worms, o papa Leão X morria. Carlos V, embora quisesse acabar com o protestantismo luterano, tinha problemas com Francisco I, da França, e não podia molestar seus súditos alemães.

Por oito dias ele pregou 8 sermões conhecidos por Sermões Invocavit, onde ele se concentrou nos valores cristãos do amor, paciência, caridade e liberdade, lembrando os cidadãos para que confiem em Deus e não na violência para que eles consigam as mudanças necessárias. O efeito da intervenção de Lutero foi imediato.

Casamento e família

Em abril de 1523, Katharina von Bora e outras 8 freiras fogem do convento cisterciense de Nimbschen, na Saxônia. Desde então, elas vivem em Wittenberg. Posteriormente, em 13 de junho de 1525, Katharina e Lutero se casam, adiando as festividades para o dia 27.

Nesta época, alguns pastores já haviam se casado, como Andreas Karlstadt e Justus Jonas, mas o casamento de Lutero deu o selo de aprovação ao casamento clerical. Lutero já havia condenado o celibato usando bases bíblicas, mas mesmo assim a decisão de se casar pegou todos de surpresa.

Katharina passa então a ser de grande ajuda aos problemas pessoais de Lutero. Através do abrigo de estudantes e da anotação de vários discursos de Lutero, ela preveniu várias dificuldades econômicas. Juntos tiveram 6 filhos:

  • Johannes, nascido em 7 de junho de 1526 em Wittenberg, falecido em 27 de Outubro de 1575 em Königsberg (Preußen),

  • Elisabeth, nascida em 10 de dezembro de 1527 em Wittenberg, falecida em 3 de agosto de 1528 em Wittenberg,

  • Magdalena, nascida em 4 de maio de 1529 em Wittenberg, falecida em 20 de setembro de 1542 em Wittenberg,

  • Martin, nascido em 7 de novembro de 1531 em Wittenberg, falecido em 4 de Março de 1565 em Wittenberg,

  • Paul, nascido em 28 de janeiro de 1533 em Wittenberg, falecido em 8 de Março de 1593 em Leipzig,

  • Margarethe, nascida em 17 de dezembro de 1534 em Wittenberg, falecida em 1570 em Mühlhausen/Ostpreußen.

Rebelião dos camponeses

Em 1525, estoura a rebelião dos camponeses. Estes tinham sofrido por várias décadas uma opressão sempre crescente e já haviam ocorrido rebeliões em 1476, 1491, 1498, 1503 e 1514. Porém nenhuma delas teve a magnitude da de 1525. Além disto, a baixa nobreza acabara de perder suas poucas terras para a alta nobreza.

A esta nova rebelião, um novo fator se somou: a pregação dos reformadores. Embora Lutero não cria que sua pregação devesse ser aplicada em termos políticos, houve muitos que não estiveram de acordo com ele nesse ponto. Entre eles estava Tomás Muntzer, natural de Zwickau, tendo doutrinas que se pareciam muito com as dos profetas de Zwickau.

À parte de Muntzer, a revolta também possuía um caráter religioso. Quando elaboraram seus “doze artigos”, os camponeses apresentaram várias demandas econômicas, mas outras eram religiosas. Porém tratavam de baseá-las todas nas Escrituras, e seu último artigo declarava que, caso fosse provado que algum de seus pedidos era contrário às Escrituras, ele seria retirado.

Em todo caso, Lutero não sabia como responder a essa nova situação. Possivelmente sua doutrina dos dois reinos era mais difícil de entender do que praticar. Quando primeiramente leu os “doze artigos”, ele se dirigiu aos príncipes, dizendo-lhes que o que se pedia era justo. Mas quando a rebelião tomou forma, e os camponeses se armaram, Lutero tratou de dissuadi-los e posteriormente instou aos príncipes que tomassem medidas repressivas. No entanto, quando a rebelião foi sufocada com violência, o Reformador exigiu misericórdia para com os vencidos.

As consequências de tudo isto foram funestas para a causa da Reforma. Os príncipes católicos culparam o luteranismo pela rebeldia e, a partir de então, proibiram todo intento de pregar-se a reforma em seus territórios. E quanto aos camponeses, muitos deles abandonaram o luteranismo, e regressaram à velha fé ou se tornaram anabatistas.

Organização eclesiástica

Os problemas políticos continuavam impedir que Carlos V aplicasse as resoluções da dieta de Worms. Isto deu a Lutero tempo suficiente para organizar o culto.

Assim, de 1525 a 1529, Lutero estabeleceu um corpo eclesiástico supervisório, estabeleceu uma nova forma de adoração, e elaborou dois catecismos.

Para não confundir muito o povo, Lutero não fez mudanças muito drásticas no culto. Isto não foi bem visto por outros reformadores, que viam no culto de Lutero um culto muito papista. Por outro lado, Lutero escreveu vários hinos, se destacando como escritor de hinos.

Colóquio de Marburgo

Em outubro de 1529, Filipe I de Hesse, adepto do protestantismo, convoca uma reunião de teólogos alemães e suíços no Colóquio de Marburgo, a fim de estabelecer a unidade dos Estados protestantes emergentes. Após discussões, 14 dos 15 pontos discutidos tiveram concordância por parte de todos. A única exceção seria sobre a natureza da Eucaristia, onde Lutero e Zuínglio discordavam, e se relacionava estritamente com o restante de suas teologias.

Além de Lutero e Zuínglio, o Colóquio contou com a participação de Johannes Agricola, Johannes Brenz, Martin Bucer, Caspar Hedio, Justus Jonas, Filipe Melanchthon, Johannes Oecolampadius, e Andreas Osiander.

Sobre a questão Eucarística, os teólogos alemães e suíços nunca chegaram a um consenso. No entanto, o colóquio de Marburgo foi importante para a formulação da confissão de Augsburgo.

Confissão de Augsburgo

A dieta de Spira, em 1529, tomou um rumo muito diferente das dietas anteriores, que não tomaram nenhuma medida em relação às decisões da dieta de Worms. Naquele momento o imperador Carlos V era mais poderoso e vários príncipes que antes tinham sido moderados passaram para o lado católico. Ali se reafirmou o edito de Worms. Foi então que os príncipes luteranos protestaram formalmente e, por isso, a partir desse momento, começaram a chamá-los “protestantes”.

Finalmente, Carlos V regressou à Alemanha em 1530, para a celebração da dieta de Augsburgo. Na dieta de Worms, o Imperador não tinha desejado ouvir sobre o que se tratava o debate. Porém agora, tendo em vista o curso dos acontecimentos, pediu que lhe apresentassem uma exposição ordenada dos pontos em discussão. Esse documento, preparado primeiramente por Melanchthon, é o que se conhece como a “Confissão de Augsburgo”. No princípio representava somente os protestantes da Saxônia. Porém, pouco a pouco outros foram firmando-o e logo chegou a servir para apresentar ao Imperador uma frente quase que totalmente unida (havia outras duas confissões minoritárias que não concordavam com esta da maioria dos protestantes).

Novamente o Imperador encolerizou-se e deu aos protestantes um prazo até abril do ano seguinte para se retratar.

Diante da ameaça imperial, Lutero chegou à conclusão que era lícito pegar as armas em defesa própria contra o Imperador. Os territórios protestantes formaram então a União de Esmalcalda, cujo propósito era fornecer resistência ao edito imperial, se Carlos V decidisse impô-lo pelas armas.

No entanto, questões políticas impediram novamente de Carlos V fazer o que prometia. Sendo ameaçado pelos turcos e por Francisco I, teve que recorrer aos súditos alemães, iniciando as negociações entre protestantes e católicos, chegando-se então à paz de Nuremberg, em 1532.

Segundo o acordo, era permitido aos protestantes continuar com sua fé, sem estendê-la a outros territórios. O edito imperial de Augsburgo seria suspenso e os protestantes ofereceriam ao Imperador seu apoio contra os turcos.

O problema da bigamia de Filipe de Hesse

Filipe de Hesse, que havia de ser um forte aliado dos protestantes, tinha porém uma vida muito licenciosa. Assim que casou com a doente Christina da Saxônia, Filipe passou a cometer adultério. Já em 1526, Filipe considerava a permissividade da bigamia. Desta forma ele escreve a Lutero, alegando precedência dos patriarcas. Lutero escreve em 28 de novembro de 1526, que não era suficiente considerar os atos dos patriarcas, mas que ele deveria ter sanção divina para tal ato. Como não havia tal sanção, Lutero desencorajou tal ato, principalmente para cristãos, a menos que houvesse necessidade extrema, como por exemplo se a esposa fosse leprosa ou tivesse qualquer outra anormalidade.

Mesmo com o desencorajamento, Filipe continuou sua determinação em obter aprovação para a bigamia. Para isto, contribuiu muito os discursos de Lutero sobre o Gênesis, assim como precedentes históricos onde algo não cristão não fosse punido por Deus no caso dos patriarcas, que são chamados no Novo Testamento de modelo de fé. Assim ele propõe casamento a Margarethe von der Saale, que só concorda com isto caso seja aprovado pelos teólogos e o príncipe eleitor da Saxônia.

Filipe então ameaça o príncipe Butzer de se aliar ao Imperador, caso este não consiga convencer os teólogos a lhe ajudar. Lutero e Melanchthon são convencidos então pelos pedidos de necessidades éticas de Butzer. Assim, o “conselho secreto de um confessor” foi obtido de Lutero e Melanchthon em 10 de dezembro de 1539, sem que os dois soubessem que a esposa já tinha sido escolhida.

Butzer e Melanchthon foram chamados, sem nenhuma razão apontada, para irem a Rotenburg no Fulda, onde em 4 de março de 1540, Filipe e Margarethe se uniram.

Posteriormente este caso foi revelado pela irmã de Filipe, e se tornou um escândalo, onde a reputação de Lutero sairia manchada.

Últimos anos

Lutero já vinha sofrendo de várias doenças perto do fim de sua vida. Lutero teria pregado seu último sermão em Eisleben, em 15 de fevereiro de 1546.

A viagem final de Lutero foi para Mansfeld, a fim de resolver problemas de parentes seus na mina que era de seu pai. Tudo foi resolvido de forma bem sucedida em 17 de fevereiro de 1546. Depois das 8 da noite do mesmo dia, Lutero começou a sentir fortes dores no peito. Ele morreria então no dia 18 de fevereiro de 1546.

Seu funeral foi feito pelos seus amigos Johannes Bugenhagen e Filipe Melanchthon, sendo enterrado na igreja do castelo de Wittenberg, embaixo do púlpito.

Referências bibliográficas

Notas

1 Marty, Martin. Martin Luther. Viking Penguin, 2004, p. 1.

2 Horst Herrmann: Martin Luther. Ketzer und Reformator, Mönch und Ehemann. München 1999, p. 14

3 Kittelson, James. Luther The Reformer. Minneapolis: Augsburg Fortress Publishing House, 1986), 53

4 Kittelson, James. Luther The Reformer. Minneapolis: Augsburg Fortress Publishing House, 1986, 79.

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Comentários  

 
0 #18 RE: Vida e obra de Martinho LuteroGustavo 19-03-2014 18:59
Olá novamente, J. Rubens.

Citação:
Só para registrar: achei curioso quando você cita partes de um de meus comentários, no qual eu transcrevo VÁRIOS DOS XINGAMENTOS RIDÍCULOS DE LUTERO AOS JUDEUS, e você simplesmente NÃO OS TRANSCREVEU juntamente com o trecho aos quais eu me referi no curto comentário.

Preciso transcrever todo seu comentário quando ele está logo após o meu? Só transcrevo o que vou responder.
Quer que eu fale sobre os xingamentos de Lutero? Eu os acho abusivos, como todo xingamento, embora haja precedente bíblico para uma linguagem mais dura contra algumas pessoas. Qual é o grande ponto a ser construído sobre isto? Nunca defendi, nem no texto acima, que Lutero não xingasse. Não vi nenhuma relevância destes xingamentos para seu argumento. Lutero não defende a morte de judeus em nenhum deles, como você argumentou antes. O único ponto que poderia dar margem ao seu argumento eu respondi.

Respondi também sua crítica às 95 Teses, ao que você ainda não deu uma tréplica.

Respondi a todos os seus argumentos, e o mínimo que se poderia esperar é uma tréplica às minhas respostas. No entanto, vejo que prefere dizer que estou equivocado ou que estou te ofendendo. Parece, portanto, que a discussão realmente acabou há um bom tempo.

Abraços.
Citar
 
 
0 #17 RE: Vida e obra de Martinho LuteroJ.Rubens 10-03-2014 10:47
Caro Gustavo,
Esta é a ultima vez que me manifesto em sua página. Percebo que você, NÃO SEI POR QUE, distorce todas as coisas que eu digo e TRANSCREVO. Desculpe, mas chega a ser ofensiva a sua linha "argumentativa". Só para registrar: achei curioso quando você cita partes de um de meus comentários, no qual eu transcrevo VÁRIOS DOS XINGAMENTOS RIDÍCULOS DE LUTERO AOS JUDEUS, e você simplesmente NÃO OS TRANSCREVEU juntamente com o trecho aos quais eu me referi no curto comentário.
Finalmente, deixe-me deixar expresso que SOU CRISTÃO, e sou CRISTÃO porque creio no Senhor Jesus na forma bíblica, creio na vida eterna exatamente como descrita e apregoada na Palavra de Deus. Não tenho e não cultivo ídolos. Martinho Lutero, Calvino, Agostinho e qualquer outro homem são apenas homens (meros homens) cheios (repletos) de falhas. Eu, sinceramente, ESPERO QUE O PADRE LUTERO TENHA ALCANÇADO A MISERICÓRDIA DE DEUS QUANDO PARTIU PAR A ETERNIDADE, mas dele não sou admirador DE COISA NENHUMA. Com essa declarada aversão aos judeus, com esse livrete GROTESCO, Lutero NEGA A PRÓPRIA BÍBLIA. E nega-a, também, POR OUTRAS MANEIRAS, SEJA NAS TAIS 95 TESES (RASAS, ESDRÚXULAS E ANTIBÍBLICAS EM SUA MAIORIA), seja no tal livrete contra os judeus, quando esse padre declara que O QUE PAULO DIZ AOS ROMANOS (NO LIVRO DE ROMANOS) É UMA UTOPIA, E ACRESCENTA QUE OS JUDEUS NÃO SERÃO SALVOS COISA NENHUMA, isto é, refutando expressamente a Palavra de Deus.
Não tenho apego por debates acalorados ou "polêmicas" como estas, MAS DIGO E REPITO: VOCÊ SE EQUIVOCA CABALMENTE COM RELAÇÃO AO CIDADÃO LUTERO, O QUAL PROVAVELMENTE DEVE TER CONTRIBUÍDO DE ALGUMA FORMA PARA O EVANGELHO, MAS ERROU MUITO (MUITÍSSIMO) E JAMAIS PODERIA SER CHAMADO DE "PAI" DE UMA REFORMA INEXISTENTE.
Deus o abençoe, Gustavo.
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0 #16 RE: Vida e obra de Martinho LuteroGustavo 10-03-2014 10:19
Olá, J. Rubens.

Citação:
Meu caro, penso que você se equivoca inteiramente. Primeiramente, o argumento que você chama de "anacronismo", ou que Lutero "não poderia ter a consciência de um protestante do século 21" mostra-se sem qualquer sustentação. Definitivamente , não se trata de "TER CONSCIÊNCIA DO SÉCULO 21", mas sim de LER A BÍBLIA E CURVAR-SE AO QUE NELE ESTÁ ESCRITO. O Espírito Santo de Deus não "caiu de moda" ou "se modernizou", meu amigo. O Espírito Santo de Deus é IMUTAVELMENTE o mesmo antes e depois do padre Lutero.

O que você está querendo fazer, então, é transferir a imutabilidade do Espírito Santo a Lutero? Sim, por que eu estou falando de Lutero e de sua consciência. E estou bem ciente que o Espírito Santo nos ensinaria tudo, mas isto também não acontece em um só instante.

Citação:
Quanto ao HORROROSO livro que Lutero "dedicou" aos judeus, confesso que também não entendi sua colocação quanto a eu "não tê-lo lido"(sic). Lutero USA DE TODOS OS XINGAMENTOS E LINGUAGEM CHULA CONTRA OS JUDEUS, IGNORANDO QUE DEUS É DEUS E ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ (como estampado no Antigo e no Novo Testamento), e defende, SIM, a morte dos judeus. Veja o que o cidadão Lutero diz em seu livrete, na versão em português: "...Em vez de matá-los, os deixamos impunes pelos assassinatos, blasfêmias e mentiras e dando-lhes espaço entre nós". Na versão em inglês, o padre Lutero diz assim: "We are at fault in not slaying them".

Sim, você não leu este livro. Por isto mesmo você cita uma frase que te refuta.
Quando Lutero diz "...Em vez de matá-los, os deixamos impunes pelos assassinatos, blasfêmias e mentiras e dando-lhes espaço entre nós", ele está declarando como o povo alemão recebia os judeus em sua terra, apesar de aos seus olhos eles serem criminosos. Você por acaso reparou que Lutero os considera assassinos? Você sabe pelo menos por que ele os considera assim? Você sabe que tipo de coisas eles falavam sobre os alemães? Espero que saiba. Você está dizendo que leu o livro.

Citação:
Agora, FRANCAMENTE, fiquei perplexo com o que você disse, referindo-se ao livro de Lutero "dedicado" aos judeus, quando você afirma que nesse livro Lutero "ELOGIA"(sic) os judeus!!!

Por que ficou perplexo? Você não leu o livro? O elogio a um judeu está lá.

Citação:
Mais uma coisa: Se você observar atentamente, Lutero NEM MESMO ERA CONTRA AS INDULGÊNCIAS, já que ele se contradiz flagrantemente na seqüência dessas 95, digamos, proposições, ora de alguma forma refutando-as, ora defendendo-as, principalmente em relação à "INFALÍVEL AUTORIDADE DO PAPA"...

Como eu disse antes, são 95 propostas para discussão. Se você não entende isto, como poderia discutir a obra de Lutero?

Sem mais...
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0 #15 RE: Vida e obra de Martinho LuteroJ.Rubens 09-03-2014 18:08
Mais uma coisa: Se você observar atentamente, Lutero NEM MESMO ERA CONTRA AS INDULGÊNCIAS, já que ele se contradiz flagrantemente na seqüência dessas 95, digamos, proposições, ora de alguma forma refutando-as, ora defendendo-as, principalmente em relação à "INFALÍVEL AUTORIDADE DO PAPA"...
Prezado Gustavo, sem querer ser rude ou ofender: DE ONDE, CARGAS-D'ÁGUA, o padre Lutero extraiu essas tais "INDULGÊNCIAS"??!! Se elas não estão na Bíblia, E JAMAIS PODERIAM ESTAR, MUITO MENOS NA FORMA "COMERCIALIZADA" OU MEDIANTE PAGA, não poderiam, portanto, ser objeto de "teses para Reforma Protestante"!!
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0 #14 RE: Vida e obra de Martinho LuteroJ.Rubens 09-03-2014 18:03
Agora, FRANCAMENTE, fiquei perplexo com o que você disse, referindo-se ao livro de Lutero "dedicado" aos judeus, quando você afirma que nesse livro Lutero "ELOGIA"(sic) os judeus!!!
Alguns exemplos dos "elogios" de Lutero aos judeus:
- “São palermas orgulhosos que até hoje só sabem vangloriar-se do sangue de sua tribo..."
- "São eles grandes mentirosos, cachorros raivosos que desvirtuaram e falsificaram as Escrituras..."
- “Será que os profetas de Deus não tinham outra coisa para anunciar a estes malditos judeus, senão satisfazer seu apetite pelo ouro e pela prata?”
- “Primeiro devíamos incendiar suas sinagogas (ou escolas) e o que não queimar, devia ser soterrado definitivamente ..."
- “...será, pois, para nós cristãos, tarefa muito séria de tudo fazer para livrar-nos, com nossas almas, desta peste que são os judeus, para salvar-nos do Satanás e da morte eterna."
- “Que tenha esperanças quem quiser. Eu não tenho. Nem a maioria dos nossos cristãos podemos converter, quanto mais estes filhos do demônio..."
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0 #13 RE: Vida e obra de Martinho LuteroJ.Rubens 09-03-2014 17:49
Boa tarde, Gustavo:
Só agora percebi que você postou resposta ao meu último comentário.
Meu caro, penso que você se equivoca inteiramente. Primeiramente, o argumento que você chama de "anacronismo", ou que Lutero "não poderia ter a consciência de um protestante do século 21" mostra-se sem qualquer sustentação. Definitivamente , não se trata de "TER CONSCIÊNCIA DO SÉCULO 21", mas sim de LER A BÍBLIA E CURVAR-SE AO QUE NELE ESTÁ ESCRITO. O Espírito Santo de Deus não "caiu de moda" ou "se modernizou", meu amigo. O Espírito Santo de Deus é IMUTAVELMENTE o mesmo antes e depois do padre Lutero.
Quanto ao HORROROSO livro que Lutero "dedicou" aos judeus, confesso que também não entendi sua colocação quanto a eu "não tê-lo lido"(sic). Lutero USA DE TODOS OS XINGAMENTOS E LINGUAGEM CHULA CONTRA OS JUDEUS, IGNORANDO QUE DEUS É DEUS E ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ (como estampado no Antigo e no Novo Testamento), e defende, SIM, a morte dos judeus. Veja o que o cidadão Lutero diz em seu livrete, na versão em português: "...Em vez de matá-los, os deixamos impunes pelos assassinatos, blasfêmias e mentiras e dando-lhes espaço entre nós". Na versão em inglês, o padre Lutero diz assim: "We are at fault in not slaying them".
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0 #12 RE: Vida e obra de Martinho LuteroGustavo 24-02-2014 09:33
Olá, J. Rubens.

Obviamente Lutero estava determinado a resolver os problemas que via em sua época. E as indulgências eram um problema para o povo alemão. Se você considera isto uma perda de tempo, só posso concluir que você está cometendo a falácia do anacronismo, analisando a questão somente pelos valores de nossos dias.

Citação:
D’outro lado, necessário insistir e enfatizar que a tal REFORMA PROTESTANTE jamais se concretizou, jamais nem mesmo foi iniciada, simplesmente porque a ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA CATÓLICO-ROMANA permaneceu tal qual, exatamente como antes, acolhendo e acobertando as mesmas heresias e idolatrias conhecidas de todos nós (cristãos) que TEMOS A BÍBLIA COMO FONTE INDUBITÁVEL.

Então a Reforma Protestante sequer provocou a saída de milhares de pessoas do meio do catolicismo? Sinto muito, mas discordo de sua opinião. Ela me parece bastante limitada.

Citação:
Convenhamos: LEVANTAR NUMEROSAS TESES ENFOCANDO ASSUNTOS SEM QUALQUER ÍNFIMA RELEVÂNCIA COMO “INDULGÊNCIAS”, “PENITÊNCIAS”, “PURGATÓRIO”, “PENAS PAPAIS” etc., REPRESENTA NO MÍNIMO FALTA DE RESPEITO PARA COM OS CRISTÃOS E DESDÉM EM RELAÇÃO À PALAVRA DE DEUS. Indulgências (sabe-se suficientemente ) são uma invenção do catolicismo romano que tinha como razão de ser e existir a ARRECADAÇÃO DE DINHEIRO DE PESSOAS SIMPLÓRIAS, INCAUTAS, ESPIRITUALMENTE IGNORANTES E LEVADAS PELOS DELETÉRIOS VENTOS DA IDOLATRIA CATÓLICO-ROMANA.

Novamente a falácia do anacronismo. Não se pode exigir que Lutero tenha a consciência de um protestante do século 21, já ao escrever suas 95 teses (que ele escreveu sim como padre católico buscando a discussão acadêmica, não um rompimento com a igreja, que só viria mais tarde).

Citação:
Quanto ao ABERTO ANTI-SEMITISMO CULTIVADO ACINTOSAMENTE POR MARTINHO LUTERO, é sabido que esse padre alemão escreveu um livro “dedicado”(sic) A REGISTRAR TODO O SEU DESPREZO E TODO O SEU ÓDIO PELOS JUDEUS, apregoando que deveriam ser mortos, que suas casas e sinagogas deveriam ser queimadas, que são filhos do demônio, palermas orgulhosos, ladrões etc. O nome do livro, cuja existência permaneceu “abafada”, é: ON THE JEWS AND THEIR LIES ou, em português, SOBRE OS JUDEUS E SUAS MENTIRAS).

Parece que você não leu este tratado de Lutero. Eu já o li, e posso te garantir que ele não pede a morte de judeus ali.

Mas como você ignorou o que escrevi antes sobre isto, preferindo postar citações sem seu contexto, acredito que você não está disposto a dialogar sobre esta questão.

Agradeço desde já sua participação.
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0 #11 RE: Vida e obra de Martinho LuteroJ.Rubens 17-02-2014 13:32
Boa tarde, Gustavo:

No que diz respeito às 95 teses do padre alemão Martinho Lutero, de sua leitura constata-se que ele se deteve quase que exclusivamente no tema “indulgências”, algo que DESPROVIDO DE QUALQUER VALOR TEOLÓGICO E, OBVIAMENTE, NÃO TEM BERÇO NEM QUALQUER MÍNIMA REFERÊNCIA NA PALAVRA DE DEUS.

Sinceramente, sou tomado por perplexidade ao perceber que um homem reputado como erudito e dedicado teólogo (embora padre do Catolicismo Romano) se perca em bagatelas como “indulgências papais, bispais e sacerdotais”, como se enfocando tema de aguçada importância.

D’outro lado, necessário insistir e enfatizar que a tal REFORMA PROTESTANTE jamais se concretizou, jamais nem mesmo foi iniciada, simplesmente porque a ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA CATÓLICO-ROMANA permaneceu tal qual, exatamente como antes, acolhendo e acobertando as mesmas heresias e idolatrias conhecidas de todos nós (cristãos) que TEMOS A BÍBLIA COMO FONTE INDUBITÁVEL. Nesse sentido, inclusive, disse-o o francês João Calvino, refutando o próprio Lutero, ao asseverar que NÃO HAVIA COMO REFORMAR A IGREJA DADO O ALTÍSSIMO GRAU DE CORRUPÇÃO EM QUE SE ENCONTRAVA MERGULHADA.

Na verdade, Lutero permaneceu padre (ainda que “excomungado”), na medida em que manteve suas crenças, por exemplo, na “virgindade” intocável da mulher de José (que ele próprio chama de “MÃE DE DEUS”), apregoava enfaticamente a existência e a “eficácia” do tal “purgatório” nas 95 teses, fazia apologia às “penitências” nas 95 teses etc. etc.

Convenhamos: LEVANTAR NUMEROSAS TESES ENFOCANDO ASSUNTOS SEM QUALQUER ÍNFIMA RELEVÂNCIA COMO “INDULGÊNCIAS”, “PENITÊNCIAS”, “PURGATÓRIO”, “PENAS PAPAIS” etc., REPRESENTA NO MÍNIMO FALTA DE RESPEITO PARA COM OS CRISTÃOS E DESDÉM EM RELAÇÃO À PALAVRA DE DEUS. Indulgências (sabe-se suficientemente ) são uma invenção do catolicismo romano que tinha como razão de ser e existir a ARRECADAÇÃO DE DINHEIRO DE PESSOAS SIMPLÓRIAS, INCAUTAS, ESPIRITUALMENTE IGNORANTES E LEVADAS PELOS DELETÉRIOS VENTOS DA IDOLATRIA CATÓLICO-ROMANA.

Quanto ao ABERTO ANTI-SEMITISMO CULTIVADO ACINTOSAMENTE POR MARTINHO LUTERO, é sabido que esse padre alemão escreveu um livro “dedicado”(sic) A REGISTRAR TODO O SEU DESPREZO E TODO O SEU ÓDIO PELOS JUDEUS, apregoando que deveriam ser mortos, que suas casas e sinagogas deveriam ser queimadas, que são filhos do demônio, palermas orgulhosos, ladrões etc. O nome do livro, cuja existência permaneceu “abafada”, é: ON THE JEWS AND THEIR LIES ou, em português, SOBRE OS JUDEUS E SUAS MENTIRAS).

E mais, esse senhor Lutero (padre do Catolicismo Romano), em franca contradição com o que aparentemente defendia em termos “teológicos”, duvidava até mesmo da Bíblia, ao declarar que “muitos acreditam nesta utopia pelas palavras de São Paulo aos romanos, quando fala da conversão dos judeus no fim dos tempos”.

Veja algumas citações do livro que Lutero “dedicou” os judeus:

“São palermas orgulhosos que até hoje só sabem vangloriar-se do sangue de sua tribo, desprezando e amaldiçoando todos os outros, nas escolas nas suas orações e seus ensinamentos. Mesmo assim se dizem os filhos prediletos de Deus. São eles grandes mentirosos, cachorros raivosos que desvirtuaram e falsificaram as Escrituras com suas calúnias e inverdades.”

“Cuide-se, pois, dos judeus e de suas escolas que não passam de ninhos diabólicos, cheias de blasfêmias, mentiras e arrogância contra Deus e todas as gentes, como só faz o próprio demônio; e onde vires um judeu pregar, saiba que ele está envenenando as pessoas, envenenando e matando com o maior descaramento.”

“Primeiro devíamos incendiar suas sinagogas (ou escolas) e o que não queimar, devia ser soterrado definitivamente , para honra de Nosso Senhor e da cristandade, mostrando a Deus que não toleramos ofensas ao seu filho, nem a quem o segue. Porque o que fizemos até agora, por ignorância, (eu mesmo não sabia) Deus perdoará. Mas agora que o sabemos, ainda temos que guardar suas casas, tolerar suas mentiras e blasfêmias? Seria imperdoável.”

“Não só as escolas, suas casas deviam também ser destruídas, porque dentro delas praticam a mesma coisa que nas escolas. Os judeus deviam ser reunidos sobre um único teto, como numa estrebaria, igual aos ciganos, para que saibam que não são donos da terra, mas prisioneiros, por suas mentiras e blasfêmias. Em seguida, deviam ser confiscados seus livros de orações e o Talmud, pois só ensinam idolatria e mentiras. Depois, proibir por todos os meios, que os rabinos continuem a pregar, pois perderam o direito de pregar.”

“Quem quiser abrigar, tratar bem estas víboras diabólicas e ainda se deixar explorar – pois bem, que o faça, prenda-se às suas bocas, ENFIE-SE NOS SEUS RETOS, pratique a mesma idolatria para dizer que foi caridoso, que encorajou o demônio a blasfemar ainda mais contra Nosso Senhor, que derramou seu santo sangue para nos salvar.”

“...será, pois, para nós cristãos, tarefa muito séria de tudo fazer para livrar-nos, com nossas almas, desta peste que são os judeus, para salvar-nos do Satanás e da morte eterna. Devemos antes de mais nada, como já dissemos, queimar suas sinagogas com enxofre e fogo do próprio inferno, para que Deus testemunhe o fim destes lugares usados para ofendê-lo e ofender nossa sincera devoção.”

“Que tenha esperanças quem quiser. Eu não tenho. Nem a maioria dos nossos cristãos podemos converter, quanto mais estes filhos do demônio, se bem que muitos acreditam nesta utopia pelas palavras de São Paulo aos romanos, quando fala da conversão dos judeus no fim dos tempos. Palavras mal interpretadas. São Paulo quis dizer bem outra coisa.”
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0 #10 RE: Vida e obra de Martinho LuteroGustavo 17-02-2014 12:27
Olá, J. Rubens.

Se for pelos pontos que você levantou, então estamos sim retratando a realidade... Afinal de contas, o que não corresponde de fato à realidade são exatamente estes pontos que você traz aqui...

1. A Igreja Católica não ficou tal qual ela era. Muito do que é considerado dogma hoje pela Igreja Católica foi decidido no Concílio de Trento, principalmente por que até mesmo os católicos sentiam a necessidade de algumas mudanças. Mas a Reforma Protestante, embora tivesse o objetivo inicial de reformar toda a igreja, conseguiu por fim renovar as igrejas locais, já que Roma não estava interessada em corrigir seus desvios.

2. Sim, as 95 teses são breves enunciados sim. Afinal de contas, o seu formato era o formato comum da época para convidar a "comunidade acadêmica" a uma discussão. Você só as vê como "contraditórias" por que acha que seu objetivo é outro.

3. Eu tive a oportunidade de ler o tratado de Lutero contra os judeus, e nego tudo que você diz. Em primeiro lugar, ele não prega a morte aos judeus. Aliás, é muito engraçado Lutero ser considerado anti-semita por um tratado onde ele ELOGIA um judeu. Mas é claro que é necessário conhecer o texto e seu contexto histórico para poder falar tais coisas. Lutero realmente chamava os judeus de ladrões, por que os judeus na época viviam de empréstimos a juros, algo altamente condenável em uma mentalidade medieval. E por isto judeus eram chamados de ladrões, já que não trabalhavam para ganhar seu sustento, mas viviam de empréstimos, que tiravam todas as riquezas do povo alemão.

4. Todos sabemos que os católicos são ótimos fabricantes de "citações de Lutero", onde uma frase é retirada de seu contexto para falar algo completamente contrário ao que Lutero queria. Então sou obrigado a pedir a referência para tal citação...

Abraços.
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0 #9 INCONSISTÊNCIAS HISTÓRICASJ.Rubens 16-02-2014 21:32
Muito do que se narra oficialmente a respeito do padre alemão Martin Luther (Martinho Lutero) não corresponde à realidade. Omitem-se plúrimos e importantíssimo s detalhes. O primeiro deles: A REFORMA PROTESTANTE É UM MITO. NUNCA HOUVE REFORMA PROTESTANTE, SIMPLESMENTE PORQUE O CATOLICISMO ROMANO PERMANECEU TAL QUAL COM OU SEM AS TAIS 95 TESES DE LUTERO. O segundo detalhe: AS ASSIM CHAMADAS 95 TESES SÃO APENAS 95 BREVES ENUNCIADOS OU FRASES RECHEADAS DE CONTRADIÇÕES FLAGRANTES. POR EXEMPLO: APARENTEMENTE, LUTERO "CONDENAVA" A VENDA DE INDULGÊNCIAS, MAS SE OBSERVARMOS ATENTAMENTE TODAS AS TESES NAS QUAIS ELE ABORDA A QUESTÃO INDULGÊNCIAS, VÊ-SE COM CLAREZA QUE ELE ORA DIZ, ORA DESDIZ, ORA CONDICIONA A VENDA DE INDULGÊNCIAS, ORA AS "CANONIZA" EM SE TRATANDO DE COMPETÊNCIA PAPAL etc. etc. O terceiro detalhe: LUTERO FOI UM VIRULENTO E DECLARADO ANTI-SEMITA, CHEGANDO AO CÚMULO DE ESCREVER UM LIVRO EXTRAVASANDO TODO O SEU ÓDIO PELOS JUDEUS, INCLUSIVE FAZENDO USO DE PALAVRAS CHULAS, AGRESSIVAS, APREGOANDO MORTE AOS JUDEUS, DESTRUIÇÃO DE SUAS CASAS, DE SUAS SINAGOGAS, CHAMANDO OS JUDEUS DE PALERMAS ORGULHOSOS, LADRÕES etc. etc. O quarto detalhe: LUTERO CHEGA AO PONTO DE, MUITO CONTRADITORIAME NTE, NEGAR A PRÓPRIA AUTORIDADE DA BÍBLIA, AO ASSEVERAR QUE A PROFECIA DO APÓSTOLO PAULO NO LIVRO DE ROMANOS, FAZENDO ALUSÃO À SALVAÇÃO DOS JUDEUS, ERA UMA "UTOPIA"... Há, ainda, outras variantes sobre Lutero, mas o espaço e o tempo não recomendam mais alongada abordagem. Espero, sinceramente, que Lutero tenha sido alcançado pela misericórdia do Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
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