• Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

    Mateus 5:44,45

  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível

    .

    Mateus 17:20

  • Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

    Lucas 15:4

  • Então ele te dará chuva para a tua semente, com que semeares a terra, e trigo como produto da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia o teu gado pastará em largos pastos.

    Isaías 30:23

  • As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

    João 10:27

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Verso do dia

Westminster e o domingo

Escrito por  R. J. Bauckham
Assembléia de Westminster

No século 17, o ponto principal de controvérsia era a “moralidade do quarto mandamento”83. Nicholas Bownde havia adotado uma equação simples segundo a qual lei natural = lei moral = Decálogo. Assim, o mandamento do Shabbath que exigia um dia de descanso dentre sete havia sido escrito no coração do homem na criação e era, portanto, “natural, moral e perpétuo”84. Porém, ao que parece, para os pensadores ingleses do século 17 era difícil aceitar o conceito de um dia de descanso dentre sete como requisito de uma lei natural. A teoria da lei natural estava se tornando cada vez mais racional e o seu conteúdo não podia ser determinado com tanta facilidade apenas pelas Escrituras. Certas ocorrências oportunas contribuíram para aproximar ao máximo a lei natural do mandamento do Shabbath85, mas, de um modo geral, os puritanos consideraram insustentável a ideia da lei do Shabbath como sendo inteiramente “natural” e abandonaram-na.

Assim, no lugar da expressão “natural, moral e perpétua” empregada por Bownde, os teólogos de Westminster falavam de um “mandamento efetivo, moral e perpétuo, obrigatório para todos os homens de todas as eras”86. A terminologia é um tanto confusa, uma vez que “lei moral” (= lei natural) e “lei efetiva” haviam sido consideradas, até então, categorias mutuamente exclusivas. Conforme Cawdrey e Palmer explicam ao falar do mandamento do Shabbath como sendo “inteiramente moral”, consideraram a “lei moral” num sentido amplo, que incluía tanto a lei natural quanto a “lei moral efetiva”. “Uma lei moral é qualquer lei de Deus expressa nas Escrituras (quer se possa comprovar que é natural ou não) que, desde o tempo de sua transmissão até o fim do mundo, é peremptória para todas as gerações posteriores àquela para a qual foi transmitida; e, mais especificamente, é de caráter compulsório para a Igreja, pois as Escrituras – a Palavra de Deus – foram escritas especialmente para ela e dizem respeito especialmente a ela”87. Assim, apesar de o quarto mandamento não ser uma lei moral natural, como os outros nove são “em grande parte”, é uma lei moral efetiva e igualmente peremptória. Desse modo, Cawdrey e Palmer podem afirmar que “o quarto mandamento é, literalmente, um preceito moral” cuja substância não é apenas “um tempo indefinido” (seu conteúdo considerado como lei natural), mas um dia inteiro dentre sete88. Essas definições têm o propósito de resgatar o conceito de leis divinas universalmente compulsórias das restrições impostas pela teoria corrente da lei natural e, com isso, deslocam a discussão do problema da relação entre o Decálogo e a lei natural para outros tipos de argumentação em favor do caráter universal do Decálogo. Dentre estas, a mais relevante, porém abrangente demais para ser tratada neste contexto, diz respeito à ideia de se distinguir o Decálogo do restante da lei mosaica e à forma como Cristo e os autores do Novo Testamento trataram da lei.

No entanto, outro problema mais específico do quarto mandamento surgiu da visão do Decálogo como lei inteiramente moral, pois se poderia pensar que somente os sabatistas do sétimo dia tinham como adotar esse conceito de modo coerente. A maioria dos sabatistas, incluindo alguns dos puritanos89, acreditam que o quarto mandamento contém, em parte, uma lei efetiva ab-rogada (normalmente chamada “lei cerimonial”), pelo menos com referência à sua especificação do sétimo dia e a aplicação direta do Decálogo todo aos cristãos é, portanto, dificultada por essas ressalvas quanto à questão da “mudança do dia” que, dentro dessa visão, se torna, provavelmente, a dificuldade central. Segundo a confissão desconcertante de Cawdrey e Palmer, a seu ver, um dos principais motivos pelos quais os estudos sabatistas anteriores não haviam se mostrado inteiramente convincentes era o fato de “concordarem com seu adversário que o Shabbath no sábado se encontrava literalmente prescrito no quarto mandamento; acreditamos que aquele que cede nesse ponto perdeu não apenas a causa, mas também o Mandamento”90. De acordo com a solução desses dois autores, proporsta anteriormente por Greenham, Richard Bernard e outros91, o quarto mandamento não contém a observância do sétimo dia (em ordem), mas “de um dia dentre sete ou um sétimo dia” (em frequência)92.

De que maneira o mandamento exigia que se passasse o Shabbath? Nas palavras do Breve Catecismo de Westminster:

Deve-se santificar o [Shabbath] com um santo repouso por todo aquele dia, mesmo das ocupações e recreações temporais que são permitidas nos outros dias; empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, exceto o tempo preciso para as obras de pura necessidade e misericórdia93.

A doutrina puritana afirmava que o quarto mandamento prescreve o descanso por si mesmo94. Todos os seus partidários acreditavam que o descanso sabático cristão era para a adoração e a rigidez puritana acerca do descanso de um dia inteiro envolvia uma consagração correspondente do mesmo aos deveres religiosos. Havia, porém, certas diferenças na ênfase. Alguns, como Richard Bernard e William Twisse (seguindo Calvino), distinguiam o descanso “cerimonial” do descanso “moral”. O primeiro era mais rigoroso e se restringia ao Shabbath mosaico, tendo como propósito ser uma prefiguração de Cristo95. Bownde, por outro lado, considerava que o rigor do Shabbath mosaico era necessário para seu propósito “moral”; o significado figurativo foi acrescentado ao Shabbath no Sinai sem afetar a prática do descanso no domingo. Assim, continua sendo igualmente válido que “apesar de os homens poderem descansar nos outros seis dias para seu próprio bem e proveito, ...o descanso nesse dia deve ser extremamente meticuloso, exato e preciso, seguindo uma prática diferente daquela que costuma ser observada pela maioria dos homens96. Alguns sabatistas do século 17 acreditavam que todas as regras do Shabbath mosaico fora do Decálogo eram leis cerimoniais e judiciais que haviam sido anuladas e se aplicavam somente ao Shabbath mosaico97. Outros defendiam a observância de pelo menos algumas dessas regras, talvez até a pena de morte para a violação do Shabbath98. A oposição ao lazer no Shabbath era praticamente geral, com base no fato de que, por certo, impedia a consagração do dia todo às práticas religiosas e era condenado em Isaías 58.13, apesar de o significado desse versículo ser controverso99.

As Atas da Assembléia de Westminster para o Culto Público dão uma ideia do que a maioria dos puritanos do século 17 esperava na prática:

O Dia do Senhor deve ser lembrado com antecedência de tal modo que os deveres habituais sejam organizados e colocados de lado oportuna e apropriadamente, para que não constituam empecilhos para a devida santificação do dia quando este chegar.

Tanto na esfera pública quanto privada, o dia todo deve ser celebrado como dia santo ao Senhor, como o Shabbath cristão. Para esse fim, é essencial que haja durante o dia inteiro uma cessação santa ou descanso de todos os labores desnecessários, bem como uma abstenção não apenas de todos os esportes e entretenimentos, mas também de todas as palavras e pensamentos mundanos.

A alimentação desse dia deve ser ordenada de tal modo que nem os servos sejam desnecessariamente impedidos de participar do culto público a Deus, nem qualquer pessoa seja obstada de santificar esse dia.

Cada pessoa e família deve se preparar em particular, pela oração por si mesma, pelo auxílio divino para o ministro e sua bênção sobre ele e por outras práticas santas que promovam uma comunhão mais satisfatória com Deus em seus encontros públicos.

Todos devem se encontrar oportunamente para o culto público, sendo que toda a congregação deve estar presente desde o início do culto, reunida em um só coração em todas as partes do culto até a bênção.

Qualquer tempo livre entre as reuniões públicas solenes da congregação ou depois das mesmas deve ser gasto com a leitura, meditação, repetição dos sermões e, especialmente, pedindo que as famílias relatem o que ouviram, catequizando seus membros, realizando reuniões sagradas, orações pedindo a bênção sobre os encontros públicos, cântico de salmos, visitas aos enfermos, alívio aos pobres e deveres afins de piedade, caridade e misericórdia, considerando o Shabbath deleitável100.

A capacidade dos teólogos de Westminster de se aproximar perigosamente do farisaísmo é ilustrada por sua discussão de uma proposta “Para que não haja mais banquetes no Shabbath”, que não foi aceita pela Assembléia, pois três membros citaram exemplos bíblicos de Cristo banqueteando no Shabbath (Mt 8, Lc 14). Supõe-se que, na ausência desses textos explícitos, a proposta teria sido aceita101. O auge do exagero sabatista é, provavelmente, representado por The practical Sabbatarian [O sabatista prático] (1668), uma obra de 800 páginas escritas por John Wells tratando dos deveres da observância do Shabbath e que incluía um capítulo chamado “Uma súplica aos cristãos para que excedam os judeus em sua santidade sabática e suas observâncias”102.

No entanto, seria uma imprecisão sugerir que esse grau de rigidez era parte necessária da visão sabatista. Especialmente a partir do século 17, vários autores começaram a perceber que, de certa forma, a observância do domingo devia ser adaptada à capacidade humana para que seus verdadeiros objetivos religiosos não fossem frustrados. A moderação de John Owen, o qual protestou que “um homem mal consegue ler em seis dias os deveres que lhe são propostos para observar no sétimo”103, foi a atitude que predominou na maior parte dos meios sabatistas posteriores.

Do Shabbath ao Dia do SenhorDo Shabbat ao Dia do Senhor, editora Cultura Cristã, págs. 337 a 340.

Notas

83. Cf. o título da obra de William Twisse, Of the Morality of the Fourth Commandment, as still in force to bind Christians [Acerca da Moralidade do Quarto Mandamento, que ainda se encontra em vigor e é compulsório aos cristãos] (1641).

84. Bownde, Doctrine, págs. 7,8.

85. P. ex., Twisse argumentou: (1) Se a lei natural não pode determinar a proporção de tempo que deve ser consagrado a Deus, pode, pelo menos, indicar ser mais apropriado o Criador prescrever essa proporção à criatura do que o contrário. (2) Em função “da própria equidade da consciência natural, é mais adequado separar um dia em uma semana para o serviço de Deus do que um dia em um mês; especialmente tendo em vista que, desde o princípio, o tempo foi dividido em semanas e a divisão em meses só se deu muito depois”. (3) Apesar de a lei natural não poder prescrever qual dia da semana, “parece razoável que deve haver uniformidade” e, portanto, que Deus deve prescrever esse dia (Cox, Literature, 1:211s). Ao trabalhar com o conceito incomum de que a lei moral é igual à lei natural, Twisse considerou que (1) e (2) dão base suficiente para considerar moral e perpétuo o requisito de um dia semanal de descanso religioso.

86. Confissão XXI.7.

87. Cawdrey e Palmer, Sabbatum redivivum (Londres: 1645-1652), Parte I, pág. 7.

88. Ibid., Parte II, págs. 49,54,178,206.

89. P. ex., Twisse (Cox, Literature, 1:208).

90. Citado em Cox, Literature, 1:239;

91. Cox, Literature, 1:140ss,204,227; cf. 247. É possível que a ideia tenha vindo de Greenham. Não é explícita, mas pode ser sugerida pela Confissão de Westminster.

92. Cawdrey e Palmer, Sabbatum redivivum, Parte II, págs. 31,32,48; apresentaram uma argumentação extensa, págs 255-294.

93. Resposta 60.

94. Cox sugere enganosamente que a Confissão de Westminster adota o conceito de que o descanso é adoração e identifica isso como “a principal distinção entre os puritanos e os reformadores” (Literature, 1:420). Porém, o “santo descanso” é um termo tradicional (baseado em Êx 16.23?) que tem por objetivo distinguir o descanso para fins religiosos da simples ociosidade ou repouso físico (ver p. ex., L. Andrewes, A pattern of catechistical doctrine [Oxford: J. N. Andrewes, 1846], pág. 157). Até mesmo Bownde indica claramente que o restante do Shabbath deve ser dedicado à adoração (Doctrine, pág. 57).

95. Cox, Literature

96. Bownde, Doctrine, págs. 53,57,59ss.

97. “Pois enquanto alguns são fizeram distinção alguma entre o caráter moral e mosaico do Shabbath, a não ser meramente pela mudança de dia, procuraram introduzir toda a prática correspondente ao Shabbath no Dia do Senhor. No entanto, já mostramos que, em sua adaptação à pedagogia mosaica, a injunção recebe vários acréscimos com respeito ao modo como deve ser observado, que vão além da disposição de espírito adequada requerida até então”. John Owen, citado em Cox, Literature, 2:15.

98. P. ex., Thomas Shepherd, citado em Cox, Literature, 1:251.

99. Oponentes da posição puritana argumentavam, por vezes, que esta era mais rígida do que o Shabbath mosaico, um dia festivo no qual a recreação era considerada apropriada; p. ex., Cox, Literature, 1:165,171,176; 2:304,305.

100. Citado em Cox, Literature, 1:230.

101. Ibid., 1:229. Trata-se de uma referência a Mateus 8.14 (cf. Mc 1.31). Cf. Cawdray e Palmer, Sabbatum, Parte II, 91, para uma discussão sobre o preparo de alimentos no Shabbath com relação a Lucas 14. Os autores puritanos de um modo geral permitiam que se cozinhasse, mas não sem considerar, com grande cuidado, a exegese de Êxodo 15 e 35.3 (ver Cox, Literature, 1:149,213,215ss,250ss,418,454;2:25).

102. Cox, Literature, 2:14

103. Ibid., 2:15

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