• Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

    Mateus 5:44,45

  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível

    .

    Mateus 17:20

  • Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

    Lucas 15:4

  • Então ele te dará chuva para a tua semente, com que semeares a terra, e trigo como produto da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia o teu gado pastará em largos pastos.

    Isaías 30:23

  • As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

    João 10:27

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Sejam bem-vindos ao novo site e-cristianismo!! Nosso site foi recentemente invadido, então estamos trabalhando para recuperar o conteúdo. Esperamos terminar esta tarefa em breve.

Verso do dia

A jurisdição de Roma no concílio de Niceia

Escrito por 
niceia-josaiasjr

Há alguns dias nos visita um leitor que, comentando nosso texto sobre a cátedra de Pedro no pensamento de Cipriano, nos apontou um contraponto que tenta dar uma resposta ao nosso artigo. Na verdade a resposta à nossa posição é parte de uma resposta maior1. Nos chamou a atenção ali, no entanto, uma resposta baseada nos cânones do concílio de Niceia. Ao que parece, alguém citou parte do texto presente em nosso site como argumento contra o catolicismo, mais precisamente o antigo epítome do cânon 6 deste concílio, que diz:


O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim como o bispo Romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá força.

O autor do texto católico então acusa este trecho de falsificação, apontando como verdadeiro o texto abaixo:

“Que o antigo costume no Egito, Líbia e Pentapolis prevaleça, que o Bispo de Alexandria tenha jurisdição em todos estes, uma vez que o mesmo é habitual para o Bispo de Roma também. Da mesma forma em Antioquia e as outras províncias, deixe as Igrejas mantêm seus privilégios. E isso é seja universalmente entendido, que se alguém for feito bispo sem o consentimento do Metropolita, o grande Sínodo declara que tal homem não deve ser um bispo. Se, no entanto, dois ou três bispos pelo amor natural de contradição, oporem-se ao sufrágio comum do resto, sendo razoável e de acordo com a lei eclesiástica, em seguida, deixai a escolha da maioria prevalecer.”2

Este texto foi traduzido do site New Advent3, que está baseado na mesma obra de Philip Schaff, usada para a tradução presente aqui no site. Assim, é natural que nos perguntemos: como o mesmo texto pode dar origem a duas versões? E por causa de um mal entendido, resolvemos esclarecer toda esta história.

A questão é que a versão apresentada pelo texto católico também está presente em nossa tradução. Seja quem for que tenha citado nosso texto contra os católicos, citou o antigo epítome do cânon, não o texto original do cânon que segue o epítome. Curiosamente o texto católico aponta para o texto de Schaff em sua resposta, mas em momento algum comenta sobre este epítome em sua resposta. Aparentemente o autor do texto preferiu manter a acusação onde o texto é falsificado por algum “herege protestante”...

Mas o que são estes antigos epítomes? Schaff nos explica em sua introdução geral ao volume 14, os motivos para adicionar tais epítomes e de onde surgiram:

Este então é o texto do volume, mas está claro que havia a necessidade de muito comentário para deixar claro seu significado para o leitor, mesmo se bem informado em questões ordinárias. Por isto a cada cânon sinodal foi adicionado o Antigo Epítome.

Deste Epítome o Bispo Beveridge trata com grande erudição na seção xxvi. de seu “Prolegomena” a seu Synodicon, mostrando que enquanto alguns atribuem este epítome ao escolástico medieval Aristenus, ele não pode ser dele, já que ele o tomou para o texto de seus comentários e em mais de uma instância apontou que quem quer que o fez, em seu julgamento, se enganou sobre seu sentido.

O Epítome de fato deve ser mais antigo, pois Nicholas Hydruntinus, que viveu nos tempos de Alexis Angelus, pretendendo citar um dos cânons de Éfeso, de fato citou palavras que não estão naquele cânon, mas que estão no Epítome. “Por isto”, diz Beveridge, “está claro que o Epítome é citado aqui e isto sob o nome do cânon completo”. Sendo isto estabelecido nós podemos olhar com justiça para o Antigo Epítome como fornecendo para nós um comentário bem antigo sobre os cânons4.

Desta forma, embora o texto citado de nosso site não seja de fato o texto original, ele também não é uma “falsificação protestante”, já que sua origem é anterior ao escolasticismo medieval. Muito mais do que uma falsificação, o texto citado nada mais é do que a forma que se entendia aquele cânon no passado. E assim percebe-se que este cânon na antiguidade não apontava para uma jurisdição romana acima das outras.

Mas o texto católico possui uma outra interpretação deste cânon. Segundo ele,

O texto diz “since the like is customary for the Bishop of Rome also” tradução: “uma vez que o mesmo é de costume para o bispo de Roma também”, ou seja diz justamente que o bispo de Roma tem autoridade sobre os territórios que o Patriarca de Alexandria tinha.

E assim, o autor passa a citar o texto original em grego, depois a tradução para o latim, a seu favor. O texto grego nos diz:

ς′. Τὰ ἀρχαῖα ἔθη κρατείτω τὰ ἐν Αἰγύπτῳ, καὶ Λιβύῃͅ καὶ Πενταπόλει, ὥστε τὸν ἐν Ἀλεξανδρείᾳ ἐπίσκοπον πάντων τούτων ἔχειν τὴν ἐξουσίαν, ἐπειδὴ καὶ τῷ ἐν τῇ Ῥώμῃ ἐπισκόπῳ τοῦτο σύνηθές ἐστιν· ὁμοίως δὲ καὶ κατὰ τὴν Ἀντιόχειαν καὶ ἐν ταῖς ἄλλαις ἐπαρχίαις, τὰ πρεσβεῖα σώζεσθαι ταῖς ἐκκλησίαις. Καθόλου δὲ πρόδηλον ἐκεῖνο, ὅτι εἴ τις χωρὶς γνώμης τοῦ μητροπολίτου γένοιτο ἐπίσκοπος, τὸν τοιοῦτον ἡ μεγάλη σύνοδος ὥρισε μὴ δεῖν εἶναι ἐπίσκοπον. Ἐὰν μέν τοι τῇ κοινῇ πάντων ψήφῳ εὐλόγῳ οὔσῃ, καὶ κατὰ κανόνα ἐκκλησιαστικὸν, δύο ἢ τρεῖς δι᾽ οἰκείαν φιλονεικίαν ἀντιλέγωσι, κρατείτω ἡ τῶν πλειόνων ψῆφος5.

Este texto poderia ser interpretado como foi feito pelo autor católico? Uma análise do texto nos mostra que isto é altamente improvável.

O cânon nos fala de vários costumes (ἔθος), já que a palavra está no plural (ἔθη). Por que são vários costumes? Provavelmente por que se refere ao costume no Egito, na Líbia e em Pentápolis. Quais são estes costumes? A palavra grega ὥστε, seguida de acusativo mais infinitivo, nos dá uma consequência: a oficialização destes costumes antigos portanto dará o poder a Alexandria sobre estes territórios. O texto portanto está oficializando uma situação já existente em Alexandria.

Aqui entra a menção a Roma, que é introduzida pela conjunção ἐπειδὴ, que é o marcador de causa ou razão. Ou seja, o poder sobre aquelas igrejas será dado a Alexandria por que para Roma isto também é costumeiro (τοῦτο σύνηθές ἐστιν). Aqui nos deparamos com a grande pergunta: a que se refere τοῦτο nesta frase? Como o pronome demonstrativo é neutro singular, provavelmente se refere a uma cláusula anterior. E assim, poderia apontar, como sugere o texto católico, a “ter o poder sobre todos estes” (πάντων τούτων ἔχειν τὴν ἐξουσίαν). Mas poderia também simplesmente se referir a “ter o poder” (ἔχειν τὴν ἐξουσίαν), sem entrar nos méritos de especificar sobre quais territórios Roma teria este poder. Temos vários motivos para pensar que a última explicação é a que melhor se encaixa ao contexto do cânon. Em primeiro lugar, como já vimos, a cláusula sobre Roma é uma cláusula causal: ela está dando o motivo para se dar autoridade a Alexandria. Sendo assim, qual a interpretação que explica melhor o cânon 6? Aquela que se dá autoridade a Alexandria sobre aquelas regiões por que o bispo de Roma tem autoridade sobre elas, ou aquela que dá autoridade a Alexandria sobre suas regiões por que Roma tem autoridade sobre as suas regiões também? A última interpretação mostra uma vontade de equilibrar o poder das Metrópolis, mas qual seria a explicação da primeira interpretação?

O texto fica mais claro à medida que continuamos sua leitura. O cânon começa a falar sobre Antioquia, e neste ponto emprega o advérbio ὁμοίως, que significa “da mesma forma”. Se τοῦτο na cláusula anterior se refere a “ter o poder sobre todos estes”, a consequência será que Antioquia também deveria da mesma forma “ter o poder sobre todos estes”, e o mesmo para “as outras províncias”: todos deveriam ter poder sobre o Egito, Líbia e Pentápolis. Mas obviamente não é esta a intenção do concílio, e isto fica claro quando ele especifica exatamente aquilo que está se estabelecendo para Antioquia: “deixe as igrejas reterem seus privilégios”. Este é o resumo da primeira parte deste cânon. Assim, quando se diz que Alexandria deve ter o poder sobre suas regiões, que Roma também tem este poder, que Antioquia tem o mesmo, assim como outras regiões, está se declarando apenas isto: que as igrejas retenham seus privilégios igualmente.

Para confirmar esta interpretação, temos aí o Antigo Epítome, para deixar claro que este era o entendimento antigo sobre este texto. Logo, a interpretação dada pelo site católico é altamente improvável.

Notas

1. O texto na íntegra pode ser lido em http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/controversias/576-sao-cipriano-a-catedra-de-pedro-e-a-ilusao-protestante

2. Texto obtido de http://www.apologistascatolicos.com.br/obraspatristicas/Obras/ConciliosEcumenicos/ConcilioDeNiceiaI.html.

3. Texto original pode ser lido em http://www.newadvent.org/fathers/3801.htm.

4. Texto traduzido de http://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf214.iii.i.html.

5. Texto extraído de http://www.earlychurchtexts.com/main/nicaea/canons_of_nicaea_01.shtml

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