• Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

    Mateus 5:44,45

  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível

    .

    Mateus 17:20

  • Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

    Lucas 15:4

  • Então ele te dará chuva para a tua semente, com que semeares a terra, e trigo como produto da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia o teu gado pastará em largos pastos.

    Isaías 30:23

  • As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

    João 10:27

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Verso do dia

Missões protestantes na Índia e a mudança da sociedade hindu.

Escrito por  Justo L. González, Carlos Cardoza Orlandi
Taj-mahal

O trabalho missionário na Índia era complexo. A princípio, não parecia que a missão de Serampore alcançaria grande número de convertidos. Mas no ano 1800, batizaram o primeiro convertido, um carpinteiro que antes havia escutado o evangelho dos lábios dos morávios. A essa conversão seguiram-se motins públicos, e uma nova onda de animosidades por parte das autoridades coloniais, que temiam que o trabalho dos missionários despertasse a rebeldia da população do país não só contra o trabalho missionário, mas contra todo o regime colonial. Apesar disso, os missionários continuaram sua obra, e três anos mais tarde batizaram o primeiro brâmane1 convertido ao cristianismo. Sua política de oposição à distinção de castas, que era tradicional na cultura da Índia, trouxe-lhes sérias dificuldades, mas, mesmo assim, mantiveram-se firmes nela, a tal ponto que, no mesmo ano 1803, um brâmane convertido casou-se com a filha de um carpinteiro.

A oposião ao trabalho missionário continuou, e em várias ocasiões a chegada de um novo governador, que dava atenção aos inimigos das missões, pôs em perigo o empreendimento todo. Essa situação continuou até que no ano 1813, e muito especialmente devido às gestões de lord Wiberforce e da sociedade que na Inglaterra apoiava Carey2, o parlamento exigiu que, na carta patente da Companhia das Índias, se introduzisse uma cláusula na qual se estabelecia que as colônias britânicas deviam estar abertas ao trabalho missionário. Se essa decisão, por um lado, trouxe benefício para a obra missionária, por outro, não obstante, serviu de estorvo, em certas ocasiões legitimando a imposição da fé cristã aos hindus3. Mais adiante, a carta patente foi interpretada por alguns hindus como uma versão religiosa do imperialismo inglês.

Desde o começo de sua obra, Carey e os companheiros estavam convencidos de que, em última instância, a pregação do evangelho na Índia devia ser levada a cabo pelos próprios missionários indianos. Por essa razão, começaram a estabelecer frentes para da missão de Serampore em outros pontos próximos, onde colocavam um grupo de convertidos com suas famílias vivendo em uma comunidade semelhante à que tinham os missionários - ainda que com a supervisão, por algum tempo pelo menos, de um missionário. O propósito desse plano de ação era com o tempo estabelecer em toda a comarca uma rede de centros de evangelização que estivesse nas mãos dos indianos cristãos.

Para levar a cabo esse projeto, assim como também contribuir para que a Índia participasse dos benefícios técnicos da cultura ocidental, Carey e Marshman projetaram e tornaram realidade um centro de estudos superiores que seria o modelo de muitos semelhantes, estabelecidos em outros campos missionários. Essa escola tinha estudantes de diversas religiões. O propósito era levar a todos os seus discípulos um conhecimento amplo não só de alguns dos avanços técnicos ocidentais, mas também de sua própria cultura. No caso dos discípulos cristãos, o propósito era dar-lhes um conhecimento tal do cristianismo, por um lado, e dos livros sagrados e das religiões da Índia, por outro, para que lhes fosse possível apresentar o evangelho aos compatriotas pertencentes a essas religiões, discutindo, não como estrangeiros, mas como cristãos indianos. Com respeito aos discípulos não-cristãos, o colégio de Serampore buscava, naturalmente, sua conversão, mas, ainda assim, se essa não acontecesse, considerava-se satisfeito por haver ampliado sua educação. Para poder levar a cabo o trabalho educativo, o colégio começou a reunir uma vasta biblioteca de livros - tanto impressos e manuscritos - tanto ocidentais quanto indianos. Como parte fundamental da política do colégio, a educação era ministrada em sânscrito ou em árabe, e o inglês era reservado para os alunos mais adiantados. Infelizmente, o que parecia um esforço para dar à fé cristã na Índia um caráter nacional, provocou em muitos casos um isolamento cultural e atitudes apologéticas de superioridade em alguns cristãos indianos que se instruíram e eram parte dessas comunidades cristãs. Sem dúvida, a tarefa missionária de Carey reflete a dificuldade em desenvolver uma comunidade de fé em um contexto que tem elementos culturais e religiosos tão complexos como os da Índia.

Além dessas atividades, os missionários de Serampore dedicaram-se a atacar alguns dos males mais sérios na sociedade indiana. Foram dois os que mais atraíram sua atenção: o costume de sacrificar crianças e o de queimar as viúvas na pira fúnebre do esposo - o sahti, prática que Robert de Nobili havia aceitado em seu trabalho missionário. Quando o governador Wellesley soube da prática de sacrificar crianças no rio Ganges, comissionou Carey para que estudasse os antigos livros sagrados da Índia com o propósito de ver se tais práticas se baseavam neles. Carey chegou à conclusão de que nos livros sagrados da Índia não se ordenava o sacrifício de crianças. Fortalecido por esse argumento, lord Wellesley ordenou que tal prática cessasse imediatamente e estabeleceu meios de vigilância para evitar que fosse continuada. Em poucos anos, e com a contribuição de Carey e de hindus que também não concordavam com os sacrifícios de crianças, os hindus da região deixaram de sacrificar crianças. Algo semelhante aconteceu no caso das viúvas - mas o costume de oferecê-las na pira fúnebre do esposo estava tão arraigado que foi muito mais difícil fazê-lo cessar. Também nesse caso, Carey demonstrou que o costume, que se dizia religioso, não se baseava em nenhum mandamento dos livros sagrados. Depois de um longo período de oscilação, as autoridades inglesas decidiram proibir que se queimassem as viúvas com o cadáver do esposo. Quando Carey recebeu o edito, traduziu-o rapidamente para o bengali, para assegurar-se de que nenhuma só vida pereceria por causa de sua negligência

A obra de Carey e de seus companheiros teve amplas repercursões. Os filhos do próprio Carey tornaram-se missionários, um na Birmânia, onde não houve a perseverança de seu pai; outro em Java. Na Inglaterra, as notícias da obra que se realizava em Serampore fizeram despertar um novo interesse em centenas de cristãos. A Sociedade Batista Particular para a Propagação do Evangelho enviou a Serampore outros missionários mais jovens - o que não deixou de criar conflitos e até um cisma. Na Inglaterra, surgiram numerosas sociedades missionárias, além da British and Foreign Biblical Society (Sociedad Bíblica Britânica e Estrangeira) em cuja origem foi grande a influência das notícias que chegavam de Serampore, a qual desde o princípio pediu ao grupo que ali trabalhava que colaborasse com ela na tradução e na distribuição da Bíblia. Logo o entusiasmo missionário alcançaria todos os cantos da igreja na Inglaterra e até nos Estados Unidos.

Notas

1. [NA] Um brâmane é um homem que pertence à casta alta na sociedade indiana e que pratica o hinduísmo.

2. William Carey (17 de agosto de 1761 - 9 de Junho de 1834), foi um ministro evangelista batista missionário inglês, conhecido como o "pai das missões modernas". Como missionário na colônia dinamarquesa, Serampore, Índia, evangelizou e fundou escolas, ele traduziu a Bíblia para o bengali, sânscrito, e inúmeras outras línguas e dialetos.

3. Neste texto, o autor reserva o adjetivo "hindu" para os praticantes do hinduísmo. Para os nativos da Índia, o autor emprega o advetivo "indiano".

História do movimento missionárioGONZÁLEZ, Justo L., ORLANDI, Carlos Cardoza, História do Movimento Missionário. São Paulo: Hagnos, 2008,pp. 239 a 242.

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